quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Partidas

Ao olhar para este ecran das partidas no aeroporto de Cracóvia, lá se consegue perceber quais os destinos dos Cracovianos. Gdansk e Varsóvia os aeroportos internos mais usados. Viena para ir assisitir a uns concertos, Praga para levar a patroa a jantar, e Frankfurt como plataforma para outras bandas.
E destinos de emigras temos Londres e Chicago, só faltando Dublin. Esta é a triade de destinos para onde os polacos desertam para ganhar mais uns trocos (muitos mais). Chicago é mesmo a maior cidade polaca. Maior mesmo que Varsóvia, pois só perto do Michigan vivem 2 milhões de polacos. É obra. Este êxodo para o estrangeiro parece ainda longe de estancar, e em alguns sectores (p.ex. construção ou agricultura) há mesmo falta de mão-de-obra. O que vale é que os polacos casam cedo e são danados para fazer filhos, como o prova a história.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Biedronka

Se se olhar com atenção para esta foto, consegue-se ver uma loja da Biedronka (www.biedronka.pl). Para quem não saiba, esta cadeia de lojas de hard-discount pertence ao Grupo Jerónimo Martins, e de acordo com dados de 2005, era só o maior retalhista na Polónia, com uma quota de mercado de uns (não) impressionantes 2,83% (já deu para perceber então o quão fragmentado é ainda este mercado na Polónia). Mais sabendo que estão presentes na Polónia grupos como o Tesco, Carrefour ou o Auchan. Mas quando questionados se sabem que a Biedronka é portuguesa, quase todos os polacos ignoram isso. O mesmo não acontece em relação à razoável publicidade negativa que esta empresa tem na Polónia, fruto de alguns problemas laborais. Sem ter muito conhecimento de causa, e indo para o campo das teorias da conspiração, apostava que há ajudinha francesa e alemã nesta publicidade negativa. Já agora, no top 10 em termos de quotas de mercado em 2005 consta outra empresa gerida por portugueses (www.eurocash.com.pl), que como o nome deixa entender é um cash&carry. Nada mau.
Mas voltando à Biedronka, julgo que esta foto que tirei em Poznań é reveladora do seu habitat preferido: subúrbio, sem muitas lojas à volta e com prédios, muitos prédios em redor. Em termos de metros quadrados, e para usar uma referência conhecida em Portugal, é equivalente ao Lidl, se bem que acho que em termos de organização de loja seja melhor que este. Os preços, como já referi, são para arrasar e até o slogan: "Codziennie niskie ceny" é familiar se for traduzido para o "Preços baixos todos os dias". Produtos portugueses, bem isso não se vê muito. Umas pêras-rocha, acho que também umas cerejas e acho que deve ser quase tudo tuga que entra nesta loja. Felizmente para mim não moro num subúrbio, senão era certinho que iria a uma Biedronka.
Fonte de dados: PMR report "Grocery retail in Poland 2006"

domingo, fevereiro 25, 2007

Shanties

Por sugestão desta miss (www.portugalka.blogspot.com) e com confirmação polaca, decidi ir assistir a um festival - Shanties - de que o que sabia resumia-se a : canções de marinheiros. A explicação mais detalhada está em http://www.shanties.pl/pl/index.php?id=1044&m=1044.
O primeiro impacto não podia ter sido melhor. O sítio era excelente, uma sala grande de espectáculos transformada em café, com bancas a vender CD's e roupa (t-shirts às riscas horizontais eram rainhas), e indíviduos a circular trajando como piratas.
Quanto ao espectáculo em si, decorreu num anfiteatro de dimensões pequenas, mas a atmosfera era bem alegre, sendo o público composto quer por rapaziada e polacas da minha idade, assim como pessoas de meia idade. Os artistas eram bons artistas, as músicas variaram entre as bastante alegres e as mais melancólicas, havendo ainda algumas leituras de textos cujas palavras divertiram bastante todo o público (ou pelo menos aqueles que sabiam polaco). 2 horas de entertenimento puro, e que valeu bem bilhete de euro 7.5.
Notas: lugares marcados não havia; algumas pessoas, eu incluido, viram em pé nas laterais da sala; havia transmissão para a sala onde eu vi o primeiro pirata da noite; e obviamente a porta esteve sempre aberta permitindo uma liberdade total durante o espectáculo, para entre outra coisas ir buscar a jola.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

# 100

Como este é o post número 100, porventura não será má ideia fazer um balanço disto. Aquando da ideia de começar um blog, tomei a decisão de não ser algo do tipo "hoje estou muito contente, porque estou feliz e comi uns pierogis deliciosos ao almoço com Fuluna e Beltrano". Acho que até agora tenho conseguido isso. Quis pois fazer, e na medida das minhas parcas capacidades de escrita, algo que enunciasse basicamente curiosidades sobre a Polónia para alguns dos meus amigos lerem, ao invés de ir escrevendo e-mails.
Com o passar do tempo e uma vez que não só os meus amigos iam lendo estas páginas, decidi tentar aumentar um pouco o nível, abordando tópicos como história da Polónia, livros sobre a Polónia ou de autores polacos, investimento português na Polónia. Falei de Copérnico, de Marie Curie, do Chopin. Ok, falta um Adam Mickiewicz ou um Henryk Sienkiewicz, mas lá chegarei.
Mas acho que por mais que me esforce, vou ter de carregar a sina de poder ter pessoas a ler o meu blog se fizerem as seguintes pesquisas no google: "gajas polacas", "sapatos polónia" ou um doentio "celine dion polonia".

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Apteka

Por razões que não interessam, já tive a oportunidade de recorrer à farmácia. Basicamente as regras são as mesmas que em Portugal, mas a receita do médico tinha um código de barras, e que de facto foi usado quando fui lá comprar os medicamentos.
Já agora, reparo que na cidade onde estou se vê mais farmácias do que em Portugal. Além disso, em muitos supermercados e hipermercados, junto às pastilhas, rebuçados e pilhas, lá estão as aspirinas, antigripines, paracetamols e afins.
Ps: FYI, se alguma vez precisarem de comprar Tantum na Polónia, não inventem. Basta dizer: "Prosze Tantum Verde". Nada de Tantum green, ou Tantum zielony, por exemplo.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Vida de cão~polaco

À semelhança de Portugal, também por aqui há a mania de ter o cãozinho. Mas felizmente para mim, e pela primeira vez (tive de emigrar), consigo adormercer sem ouvir latidos. Tal como em Portugal há os chamados cães a pilhas, cães normais e cães bem grandes (cujos donos são quase sempre pessoas com algum complexo).
Presentes nas ruas também se encontram, mas pelo menos em Cracóvia ainda não vi nenhum desgraçado a andar de mota para limpar isso (como se vê em Lisboa). Mesmo com um frio do camandro, é possível ver bananas à meia-noite a passearem na rua o cãozinho da mulher/namorada, o que é exactamente o mesmo que acontece em Portugal.
Única diferença, é o facto da maior parte dos animais andar nas ruas e/ou transportes públicos com açaime, o que não é exactamente o caso em Portugal.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Folclore

Comentários para quê. O folclore tem destas coisas.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Canções do povo II

Sto Lat
Sto lat, sto lat, niech zyje zyje nam.
Sto lat, sto lat, niech zyje zyje nam.
Jeszcze raz, jeszcze raz, niech zyje, zyje nam.
Niech zyje nam!

Esta é a canção de parabens que se canta na Polónia. E dá para perceber que não é o "parabens a você". Vou-me permitir a uma tradução livre. Basicamente o que diz é: "100 anos, 100 anos, boa sorte e felicidades. 100 anos, 100 anos, boa sorte e felicidades. Mais uma vez, mais uma vez, boa sorte e felicidades. boa sorte e felicidaaaaades".
É simples e original, mas o que gosto mais é da ambição. Partilho deste desejo, pois se não chegar aos 100 anos ficarei aborrecido.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

História da Polónia às três pancadas - II

Uma das tribos eslavas que se fixaram em redor da actual Poznań, tinha por nome Polanie. Isto queria dizer "povo dos campos abertos". E foi a partir desta tribo que se iniciou o desenvolvimento da Polónia. Mais exactamente em 965 D.C., o principe da altura (chamava-se Mieszko I da dinastia dos Piast) teve uma ideia bestial. Não só casou com uma princesa checa, o que já de si seria positivo, como o fez após o baptismo católico. Queria ver se punha sob a alçada da religião católica. E antes de quinar, já tinha conseguido uma união entre as tribos da vizinhança mais a sul (em redor de Cracóvia).
O seu filho, o Bolesław também não fez triste figura. Aliás, o seu cognome (O bravo) só pode significar que o tipo fez coisas bonitas pela Polónia (e provavelmente feias para os desgraçados que tiveram o azar de o encontrar como adversário). Danado para andar à porrada, foi com a sua rapaziada até por exemplo Praga ou Kiev, tendo em vista uma ambiciosa expansão territorial. Deve-se a este senhor o facto de ter sido possível convencer a malta no Vaticano para ter uma coroa real, o que convenhamos é sempre algo que dava sempre jeito a qualquer rei com ambições de ser respeitado na europa desta altura, nomeadamente relativamente aos alemães. E lá se conseguiu mais território com estas mudanças.
Em 1025, com um reino estabelecido, com coroa e tudo e tudo, surgiu um reino chamado Polónia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O tempo que faz

Já tinha descoberto há algum tempo que os polacos parecem ter fortes ligações com os ingleses, nomeadamente e mormente no que se refere à capacidade de falar sobre o estado do tempo. Então não é que desde Outubro volta na volta, lá está um cidadão polaco a falar-me do tempo. E se em Outubro ou Novembro e mesmo Dezembro o tópico era sempre algo do género: "epá, ainda não está bem frio, mas para a semana (eheh) vai começar o inverno polaco. E o ano passado fizeram aqui -30ºC. Foi muito mau! Tens de te preparar bem, não estás habituado como nós."
Estamos já em meados de Fevereiro e após somente dois ou três dias de nevões à séria, mínimas que nunca baixaram duns amenos -12ºC. E o que ouço agora é: "Tu este ano tiveste muita sorte. Este de facto não é um Inverno típico e têm estado uns dias agradáveis." Sinceramente detecto tristeza nessas palavras, pois acho que existe um desejo sádico de verem um latino a bater o dente com o frio polaco. Afinal não são só os portugueses que são uns eternos pessimistas. Pelo menos no que se refere ao tempo, na Polónia as pessoas também nunca estão contentes.
Temperatura à hora da escrita deste post: 4ºC

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Voar até que nem sai caro

Quando vi este anúncio a semana passada fiquei contente pelo bom negócio que fiz. Isto porque em Outubro, estes preços estavam bem mais baixos. Aliás, cada viagem podia custar (€ -1 + taxas). Agora pelos vistos os preços dispararam. Para quem não saiba, 29 zl são mais ou menos € 7,5. Gatunos!
Já agora: a) Amsterdam não comprei; b) Bruksela só paguei taxas e já lá fui. Paguei quase outro tanto para ir de comboio até Amsterdam; c) Paryz acabei de usufruir, pagando também só taxas; Rzym ou Roma também foi comprada, mas ainda faltam algumas semanas para a usar, pagando claro está só taxas. Aliás, ficou-me mais caro o comboio para Praga do que qualquer uma destas viagens. É o que dá estar no centro da Europa. Isso, e o facto de um aeroporto Regional se calhar até consegue atrair mais low-costs do que o principal aeroporto Nacional português. Fantástico e triste ao mesmo tempo para Portugal.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Vis a vis

Não é bem um vis a vis, mas está quase lá. Que belo par de jarras.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Caves

Em Portugal, a maneira mais fácil de encontrar uma discoteca passa por tentar encontrar o sítio com mais luz, e som a bombar a 2km de distância. Pelo menos em Cracóvia, as coisas são um pouco diferentes. Para conseguir descobrir uma discoteca, é necessário olhar para o chão. Olhar não, mas ouvir o som que vem debaixo, quase da sarjeta. Isto porque nesta cidade os clubes são todas em caves. Bem, quase todos.
Aliás, quando confrontado com a possibilidade de no mesmo edifício escolher entre uma cave com música demasiado alta, pouca luz, muita gente e hip-hop misturado com techno, ou um primeiro andar com decoração moderna,luz e house music com o nível de som ideal, a escolha parecia óbvia para mim. Todavia, tive de ir para a cave, pois era onde estavam as pessoas todas, pois o outro sítio estava ao mosquedo (mesmo). Gostos.
Já agora, restaurantes e bares em caves também é o que há mais por aqui. Outra coisa gira é também haver um centro comercial em que o supermercado é no último andar. Parece que a ordem "normal" das coisas aqui não foi propriamente seguida.

sábado, fevereiro 03, 2007

História da Polónia às três pancadas - I

Com o mesmo nível de conhecimento de história da Europa de um estudante médio americano, e com igual nível de imaginação do Hermano Saraiva, aqui vão algumas notas soltas sobre a história da Polónia.
Dada a localização geográfica da Polónia, as tribos que por lá passaram até à 1000 anos eram da mais variada origem, e ainda grassa por aqui uma grande incerteza em relação a quem viveu por estas bandas e qual a sua exacta influência cultural. É o que dá estar para ali encalacrado no meio da Europa. Para o bem ou para o mal, em Portugal não tivemos esses problemas. Sempre que alguém lá andou a meter o bedelho fê-lo de forma mais ou menos propositada, não sendo o meu país um ponto que poderia servir de passagem.
Ainda por cima, esta região é caracterizada por vastas planícies, logo se uma pessoa se imaginar um nómada da Ásia ou do Médio Oriente que queria conhecer outras terras mais para Oeste, entre atravessar Cárpatos, Tatras ou outras montanhas ou atravessar planícies, não é dificil imaginar porque é que esta região foi um regabofe de emigrantes.
Mas lá para meados do século VIII, tribos de origem eslava lá se decidiram a manter-se de forma mais permanente, assim que a modos que assentar arraiais. Até porque os romanos não andaram para aqui a viver. Talvez na altura fosse demasiado complicado construir aquedutos numa zona com tanto frio e neve, por exemplo.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pão

Algo bem característico das ruas polacas são estes carrinhos, com umas coisas redondas à venda, que eu designo como pão. E isto, é um negócio bem específico, pois por exemplo, esta senhora só vende um único tipo de bem: pão, redondo com um buraco no meio (tipo argola), com umas sementes no topo. O preço é barato (menos de € 0,25) e o pessoal gosta.
Ainda no tópico de pão, verdade seja dita que os polacos gostam e sabem fazer pão. Indo a um supermercado grande, é possivel apreciar uma diversidade apreciável de variedades, com especial enfoque para as sementes que gostam de colocar dentro e/ou no topo. Mas, e há que dizê-lo com frontalidade, ainda não encontrei pão que chegue aos calcanhares de uma boa caralhota acabada de sair do forno. Para os iletrados, aqui vai o link explicativo para que não fiquem preocupados com esta palavra: http://www.ribatejodigital.pt/ribatejodigital/PT/ConhecaRibatejo/CostumesTradicoes/pao.htm

terça-feira, janeiro 30, 2007

As escolhas do professor V

Após alguns meses, lá achei que era altura de começar a ler livros de escritores polacos que ganharam um prémio nobel. Czesław Miłosz é o nome do senhor nascido em 1911, mas que já não anda por este mundo. E o título do livro em inglês é "The Captive Mind".
As 50 páginas iniciais assustaram-me um pouco pela complexidade da escrita e há que ser frontal, muitos dos conceitos abordados no livro eram-me completamente novos. Mas depois o livro torna-se de leitura mais fácil (são só 250 páginas). Para tornar esta crítica bem curta, o núcleo anda em torno de relatos da vida de quatro escritores polacos, e a forma como, curto e grosso, deitaram a toalha ao chão para os comunistas em relação às suas ideias.
Escrito em 1952, este livro traduz uma visão triste mas realista de quão grandes podem ser os danos de um regime autoritário em relação à liberdade de expressão, e pior, ao próprio pensamento. Já agora, o conceito materialismo dialéctico surge mencionado muitas vezes. Convém pesquisar um pouco sobre o que é isso, caso sejam filosoficamente ignorantes (como eu).

domingo, janeiro 28, 2007

Viagens na terra de outros - Tarnów

Pertinho de Cracóvia, mais ou menos a 80km para Leste, Tarnów foi uma agradável surpresa. Com um centro histórico pequeno, é possivel ver todos os pontos turísticos num só dia. As ruas têm uma disposição medieval, uma praça central inclinada, e tal como em Cracóvia há um conjunto de ruas (como a da foto) que fazem uma circular em torno do centro. Todavia, os prédios mais interessantes são da época do Renascimento.
E depois existe o bairro judeu, que como não foi destruído (destino diferente teve uma sinagoga), e não tem a catrefada de bares/restaurantes/lojas que o de Cracóvia, permite ficar com uma melhor perspectiva de como seriam aquelas ruas à 60 anos atrás.
Como curiosidade, fui visitar o museu etnográfico dedicado à cultura cigana na Polónia (à borla,porque aos domingos não se paga). Aliás, apesar desta cidade não atrair muitos turistas, acho que sem dúvida é a cidade onde estive com maior e melhor informação espalhada pelas ruas do centro histórico (mapa, e explicações em três línguas). Também se percebe que nos últimos anos tem havido um esforço para devolver às fachadas dos edíficos as cores de outrora. E como muitos são de facto edifícios antigos, tem outro encanto.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Carnaval na Polónia

Por aqui na Polónia comecei a ouvir falar de Carnaval logo a seguir ao ano novo. Das primeiras vezes, pensei que de facto eles já estão a pensar em celebrar com dois meses de antecência. Qual Brazil, na Polónia é que deve ser!
Mas lá fui elucidado que para os polacos, o Carnaval é todo o período que vai entre o Natal e 5ª feira de cinzas. E supostamente de acordo com as tradições, esta é uma altura particular de festa. Muito francamente, não noto um grande incremento no número de festarolas, porque pelo menos em Cracóvia, a animação parece ter um nivel constante ao longo do ano: alto.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Ode à neve

Cai neve em Cracóvia,
ela cai na diagonal.
Não conta nenhuma história,
mas da minha vida faz um lamaçal
Ao vê-la pela janela, reflito:
que bom seria ali rebolar,
Mas quando saio, só digo aflito
"Tás parvo ou quê, só te ias molhar!"
Não sei esquiar, não sei patinar,
mas nesta neve toda criança disfruta.
Até na rua velhotas me estão a passar,
E eu caminhando, devagar... numa luta.
Geraldo Geraldes, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

Palumbu

Lisboa - Cidade das sete colinas.
Coimbra - Cidade dos estudantes.
Paris - Cidade luz.
Chicago - Cidade ventosa.
Cracóvia - Cidade dos pombos.
Por não pertencer ao meio columbófilo não sei se Cracóvia é tipo Meca do Centro da Europa em relação aos pombos. O que sei é que, comparando com Lisboa (onde esta peste já existe em abundância), é incrivel a quantidade de pombos que se vê por aqui. Na praça central, ao pé de restaurantes, dentro da estação de comboios (sim, dentro), nos túneis, e o diabo a sete, tenho de gramar com isto. Pior, parece que há algumas (muitas) pessoas que gostam dos bicharocos, que lhes dão de comer, ficam com eles nos braços. Para essas pessoas só me apetecia dizer: E se após ter dado essa milharada toda, fosse ali limpar as pedras e estátuas que os seus amiguinhos com asas conspurcaram?
Columbofilia sim, agora zés-marias-pincel a dar comida a pombos de rua, que não fazem ponta de corno senão chatear e poluir, chateia-me.
Mas já agora, para não ser demasiado injusto com a cidade, epítetos como cidade de estudantes, cidade dos mil e um bares, ou cidade-mãe da Polónia podiam assentar a Cracóvia.

domingo, janeiro 21, 2007

Antroponímia

Em Portugal, durante os tempos da ditadura, e principalmente entre os anos 40 e 60 tenho a sensação que quase todos os pais portugueses não perderam muito tempo a escolher os nomes para os filhos. Se fosse um bombeirinho, chamou-se António, Manuel ou José. Se fosse rapariga, nem havia volta a dar, teria de ser Maria.
Parece que fenómeno idêntico ocorreu aqui pela Polónia durante o início dos anos 80 (também sob efeito de uma ditadura). Focando-me só no nomes das raparigas, é incrível a quantidade de Katarzynas e Małgorzatas que uma pessoa conhece. E como é tradição por aqui, toda a gente é tratada pelo diminuitivo (será por terem nomes demasiado dificeis de pronunciar?). Por isso, quando se diz que se falou com a Kasia ou com a Gosia, é necessário ser mais específico, porque isto Kasias e Gosias há muitas.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Canções do povo



Esta é a letra de uma canção polaca, chamada Szła dzieweczka. Ora, então vamos lá tentar traduzir isto, e também analisar um pouco.
1º verso: "Uma rapariga foi à floresta, uma floresta verde, uma floresta verde, uma floresta verde. E conheceu um caçador, um jeitoso, um jeitoso, um jeitoso". Ora bem, temos portanto uma rapariga que vai para uma floresta, verde como se percebeu, fazer sabe-se lá o quê. A única coisa que é dita é que encontrou um caçador bonzão.
2º verso: "Onde é a rua, onde é a casa, da rapariga que eu amo. Encontrei a rua, encontrei a casa, encontrei a rapariga que amo". Bom, pelos vistos o caçador não conseguiu sacar o número de telefone da rapariga, e teve de andar às aranhas até saber onde ela morava. Mas lá a encontrou.
3º verso: Neste tive mais dificuldade em traduzir mas aqui vai "Pensei em ti meu querido, estou tão contente, estou tão contente, estou tão contente. Até te dava pão com manteiga, mas já o comi, mas já o comi, mas já o comi". Isto dá que pensar. Então a tipa diz que gosta dele, e coiso e tal, e depois diz que dava algo que já não tem? Caçador sofre.
E esta é uma das canções populares mais popular na Polónia. Tenho esperança que daqui a mais uns meses já consiga cantá-la decentemente no Karaoke.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

EMPIK

Em Portugal, quando se fala em comprar livros/CD's/DVD's, o primeiro sítio em que muitos pensam ir é a uma FNAC.
Na Polónia não há FNAC. Há uma coisa chamada EMPIK. Tal como a FNAC as áreas das lojas são grandes, há um petit café, e as lojas maiores têm vários pisos. E depois há a localização, sempre excelente. Por exemplo na foto, o edíficio branco é todo uma loja EMPIK, situando-se na praça central de Cracóvia.
Existem todavia alguns detalhes a melhorar como sejam a estupidamente quente temperatura no seu interior, ou pior, a miséria franciscana que é a parte de literatura em língua estrangeira. O que vale, é que existem muitas outras lojas (pelo menos em Cracóvia), mais pequenas e que oferecem uma oferta decente de livros em inglês (novos e usados). Ufff

terça-feira, janeiro 16, 2007

Quem não tem coração?

Este é o símbolo de uma organização de caridade polaca, fundada à cerca de 15 anos, e que enfoca o seu apoio nas crianças (por exemplo através da compra de equipamentos para alas pediátricas de hospitais). Todos os anos, existe um evento que decorre por todo o país, e em que concertos/eventos/festas são organizadas, os artistas actuam à borlix, e milhares de jovens e menos jovens andam de latinha ao peito e com autocolantes para distribuir, simbolicamente agradecendo a contribuição das pessoas. E no passado domingo, 99% das pessoas que circulavam na rua, andavam com este símbolo em si.
O nome da organização em português seria Grande Orquestra da Caridade de Natal. E segundo o site deles - http://www.en.wosp.org.pl/fundation/, em 15 anos já conseguiram 65 milhões de dólares. Caso para pensar, que já que fazem este evento por toda a Polónia, porque não fazê-lo por toda a União Europeia? Haveria muitos putos que agradeceriam.

sábado, janeiro 13, 2007

Quiosque


Sempre que passo por um quiosque, dou comigo a pensar como será o dia-a-dia de uma pessoa que trabalha num sítio destes. Passar dias, meses, anos a fio num espaço com um metro quadrado (dois se for um kiosk à rica) deverá moldar e bem a personalidade de uma pessoa. Com quem conversar, quando as pessoas que se dirigem a ela somente querem o cigarro, a revista, ou o carregamento de telemóvel? E o que fazer nos tempos mortos quando já se leram todas as revistas cor de rosa todas? Será que se emerge na literatura clássica? Dá-me que pensar e dá-me pena. Mas também só me dá pena por uns parcos segundos, porque depois lembro-me como passo eu o meu dia de trabalho, a olhar para um monitor 8h por dia, a teclar e a única vista que tenho (quando me deixam abrir as persianas) é o telhado de uma fábrica. Ao menos neste quiosque teria uma senhora vista: a praça central!
Senhora do quiosque 1 - Eu 0.