Altura de parar de escrever neste blogue. Definitivamente nunca se sabe, mas por uns tempos largos, segue-se uma pausa. Por isso, a nível de serviços mínimos, há o grupo no facebook com o mesmo nome: divinapolonia. Obrigado a quem vem lendo o estaminé, mas os assuntos para partilhar esgotaram-se. Ou melhor, esgotou-se a vontade de partilhar.
Espero que ainda possa ser útil para alguma coisa para quem conhece pouco da Polónia (como é o caso do Joe Biden), mas pelo menos para os portulacos, o blogue já acrescenta pouco. Ps: Deixo aqui um filme feito por uns turistas portugueses que vieram visitar a Polónia. Um filme de 7, 7horas, que começa com um padre a descrever o seu almoço no Hotel Marriott em Varsóvia, só pode ser bom material.
O “Portugueses pelo Mundo” da RTP1 visita Varsóvia,
a capital da Polónia.
Esta é uma cidade ainda marcada por anos de guerra e
ocupação mas que tem vindo a encontrar o seu lugar na modernidade. Entre
bairros históricos e as lojas mais caras, conhecemos a história de portugueses
que largaram as temperaturas amenas de Portugal para tentar uma nova vida no
frio desta cidade, onde os anos se contam em número de invernos.
Neste episódio o “Portugueses pelo Mundo” conta com os
testemunhos de:
Helena Portela, 43 Anos, Bancária, natural de Santa Maria da
Feira. Helena caminha nas ruas da zona antiga de Varsóvia a caminho da praça
central e conta-nos as suas impressões da cidade e do povo polaco. Já na Praça
das Três Cruzes, conhecemos a zona mais moderna e cara, onde se encontram as
lojas das melhores marcas. Helena leva-nos ao campo de concentração de
Treblinka, um local triste mas cuja visita é inevitável. Vamos com a Helena na
Academia Chopin, onde assistimos a um concerto de música que, como todos os que
acontecem neste local, é gratuito e com uma grande afluência de público. Após o
concerto, vamos jantar com a nossa convidada a um dos seus restaurantes
favoritos e ficamos a conhecer um pouco mais sobre a gastronomia polaca.
João Sousa, 30 Anos, Músico / Professor Português, natural
do Porto. É em Wroclaw que nos encontramos com o João que se apresenta e faz
questão de contar algumas curiosidades sobre esta cidade. Na ilha Ostrów
Tumski, o nosso convidado mostra-nos alguns dos monumentos e locais culturais
de Wroclaw, onde o João sonha tocar um dia. E é à noite que finalmente podemos
ver e ouvir a razão pela qual o João é já uma espécie de celebridade nesta
cidade, já que somos convidados a assistir a um concerto dele, cantado em
português.
Nuno Oliveira, 38 Anos, Gestor Bancário, natural de Coimbra.
No bairro Mokotów encontramos o Nuno a tomar um café numa esplanada. Enquanto
caminha na parte antiga do bairro, mostra alguns dos poucos edifícios que
sobreviveram à Segunda Grande Guerra. É de elétrico que seguimos até ao centro,
onde visitamos um dos edifícios mais emblemáticos da cidade: o Palácio da
Cultura e Ciência. Somos convidados a jantar entre amigos em casa do Nuno e
divertimo-nos no meio de conversa, gargalhadas e alguns brindes de vodca, antes
de terminarmos a noite no teatro Sabat, um local que recria um cabaret dos anos
30.
Carma Martins, 30 anos, Professora, natural de Macedo de
Cavaleiros. Cumprimentamos a Carma e duas amigas polacas na Universidade de
Varsóvia e acompanhamos a nossa convidada até a um café-livraria de que gosta
muito. Seguimos para o bairro de Praga, onde ainda podemos observar alguns
buracos de balas nas paredes e que serviu de cenário a alguns filmes sobre a II
Grande Guerra. Carma leva-nos até ao Centro de Ciência Copérnico, um dos
espaços favoritos de Carma. Como não podia deixar de ser, vamos conhecer a
noite da cidade, num dos bares mais conhecidos de Varsóvia.
Com uns quantos meses de atraso, mas aqui está. Pérolas como: " Sabem quem nasceu aqui na Polónia? O Karol Jósef Wojtyla. O papa João Paulo II. É que eles têm esta característica. Gostam de mudar o nome para ficarem mais comerciais. Nisto e no mau gosto para o guarda roupa são iguaizinhos aos cantores pimba."
Já está em funcionamento em Varsóvia um sistema público de bicicletas: http://en.veturilo.waw.pl/informacje/. Paga-se uma taxa inicial de 10Pln, os primeiros 20 minutos de utilização são grátis e até uma hora apenas 1Pln. No vídeo abaixo pode-se ver como funciona a coisa. A chatice maior é que no caso de abarbatanço da bicla, são 2000 Pln de multa.
Existem 57 pontos de recolha e um total de 1120 bicicletas.
Varsóvia vai ter por alturas do Euro 2012 um novo aeroporto em funcionamento pensado em responder às necessidades das low-cost. Fica localizado a 35km de Varsóvia, no concelho de Modlin. Basicamente trata-se de um antigo aeroporto militar que estava desactivado e que cujas obras de construção do terminal de passageiros se iniciaram em Outubro de 2010.
Além dos voos da WizzAir que já são feitos para o aeroporto Varsóvia - Chopin, o novo aeroporto Warsaw-Modlin tem também desde já à venda viagens pela Ryanair que actualmente ainda não faz voos para Varsóvia.
A revista The Economist elabora um ranking que classifica algumas cidades europeias de acordo com a sua atractividade para quem queira fazer turismo de compras por essa Europa fora. O ranking chama-se "The Globe Shopper City Index - Europe: Assessing 33 European destinations on convenience, availability and price".
Em 2011 Lisboa ficou no 7º lugar, enquanto a capital da Polónia (Varsóvia) se quedou pela posição 28. Em baixo pode-se ver um quadro resumo das classificações nalguns dos critérios em análise.
Já aqui tinha falado sobre os negócios de restauração com ligação à comida portuguesa. Serve o presente post para actualizar com mais um restaurante de seu nome Grill & Co. Na falta de poder visitar e comprovar por mim mesmo a qualidade do sítio, acho que as fotos que retirei do site são esclarecedoras o suficiente. Espetadas da Madeira, bitoque, leitão (sim "suckling pig"), bacalhau ou um pudin flan (se é do Mandarin ou não, não sei). Só pelas fotos, estão de parabéns, pois tem tudo um óptimo aspecto.
Coincidência das coincidências, o restaurante está situado no mesmo conjunto de edifícios da sede do Millennium Bank. Desconheço o que esteve na génese deste restaurante, mas se tivesse de dar um palpite, imagino uma reunião de quadros expatriados do banco a discutirem onde ir almoçar e um deles dar um murro na mesa e dizer: "basta de ir a sítios com canecas de banha como entrada, panados, couve com carnes gordas lá dentro, peixe com gelatina. Estou farto! Nem que façamos uma vaquinha com os nossos bónus, mas temos de arranjar forma de ter aqui um restaurante com comida portuguesa". Mas especulo...
Mais a sério, conquistar clientes pela barriga é sempre uma boa solução em Portugal. Estereotipando completamente, espero que a nossa aguardente e vinho do porto ajude a concretizar muitos bons negócios na Polónia.
Como não podia deixar de ser, espaço para o clube da moda em Varsóvia: Platinium.
Sendo um sítio posh de Varsóvia, é de todo conveniente caprichar na indumentária e mesmo assim não é nada garantido que se consiga entrar se não se for com alguém que já seja uma cara conhecida dos porteiros. É como se fosse uma Kapital de há 10 anos atrás, mas em bom. Não se paga entrada, consumo mínimo não existe, mas as bebidas são caras (quer dizer, caras para o normal da Polónia, se bem me lembro uma cerveja a 15 ou 20pln). Pese embora o espaço até seja grande, rapidamente se torna apertado. Mas como é tudo gente civilizada, não há stresses. A música, regra geral é house sem grandes surpresas.
O Paparazzi de Varsóvia é um bar com boa pinta localizado mesmo no centro da noite da cidade, e um bom sítio para começar (para quem goste deste ambiente). A clientela é basicamente constituída por polacos wannabes, expatriados e louras à busca de sponsors. Consta que têm muito bons cocktails! Abaixo deixo duas opiniões (em inglês) de clientes que encontrei na net, que corroboram a minha opinião:
- "..Think of a nice big airport bar, stuff it full of wannabees instead of people actually going anywhere. More meat than Smithfield Market! Any place filled with copies of old moviestar photos certainly ain't worth the bother..."
- "....a bit poshy place, but omg their drinks are good. the best long island ice tea in town! oh yeah and waitresses are the best in town too :)...".
No espectro oposto aos "restaurantes" de Varsóvia que abordei há uns meses atrás, é a altura para falar dos restaurantes de Sushi. E uma das cadeias de restaurantes de sushi mais conhecidas na Polónia são os Sakana sushi bar. Estão presentes em Cracóvia, Poznań, Wrocław, Katowice e têm dois em Varsóvia.
Como perfeito leigo na matéria, apenas me lembro de ouvir dizer que dá para ir fazer uma refeição por cerca de 50-60 pln sem ficar com muita fome (porque sendo sushi, não me venham com tretas que não se fica com fome depois de comer umas algas e uns pedaços de peixe cru). Vi que por exemplo que um sashimi (o que quer que isso seja) pode ficar por 30 pln e uma sopa 14pln.
Para quem se esteja mesmo nas tintas para sushi, mas queira só fazer figurão de yuppie, também existe a opção do body-sushi, como por exemplo no Yoko Sushi.
Sem dúvida que o Opera Club é uma das discotecas com melhor ambiente de Varsóvia. Localizado na cave do edifício de ópera de Varsóvia, graças a uma excelente decoração de inspiração oriental, são umas catacumbas com muita classe. Recantos, sofás e sítios sossegados para estar a dois não faltam, a clientela típica deve rondar os 22-30 anos, com um ar lavadinho (a maioria yuppies) e existe espaço suficiente para não andar lá aos encontrões. A música (house), não sendo má, das vezes que lá fui também não fascina por aí além.
Para quem goste de jazz, existe uma muito boa oferta de espaços em Varsóvia. Desafortunadamente nem pouco mais ou menos os visitei todos, e inclusive nem sequer fui a um dos melhores: o Tygmont Jazz Club (http://www.tygmont.com.pl/).
Em todo o caso, naqueles a que fui, se bem me lembro a entrada seria uns 10Pln ou grátis mesmo, músicos de qualidade, e muito bom ambiente. E se percebesse alguma coisa de música, então por certo ainda acharia mais interessante tudo isto.
Porque Varsóvia consegue ser significativamente mais cara que as restantes cidades, fica aqui a sugestão de Kebabs ou fritos pseudo-asiáticos a um preço bastante acessível. Esta foto é de uns pardieir...tasc......mini-restaurantes-em-barracas em pleno centro de Varsóvia.
Várias vezes quando a vontade de cozinhar era pouca, fazia aqui uma paragem para a janta. Salvo erro o kebab era uns 8Pln mais uma Fanta a 3Pln. Se fosse para uns restos de porco frito num wok com umas rodelas de ananás já ia para uns 15pln (+- 4Eur).
Em termos de relação preço-qualidade não se ficava mal servido, e a localização era simplesmente bestial (meio caminho entre a minha casa e a zona de bares/clubes) e com horário bem alargados. O equivalente português é a roulotte com as bifanas servidas por indivíduos de ar manhoso de camisa desabotoada até ao umbigo. Sítios destes há-os em todas as cidades polacas, e pelas suas pequenas dimensões até é possível ver as "condições" de higiene dos mesmos. Como se diz: o que não mata, engorda.
Aliás, do grupo de países do "Leste", Varsóvia só fica atrás de Vilnius e Riga (capitais de países com 3/4 milhões de pessoas, logo de comparação enviesada), estando por isso de parabens. Nas várias sub-categorias destaca-se o 5º lugar (em conjunto com Oslo!) no que diz respeito à política ambiental governamental. Pelos vistos, existe um Comité específico para a protecção ambiental que fez um plano todo catita.
Pela negativa, destacam-se as emissões de CO2 (20º) devido às centrais termo-eléctricas a carvão); a gestão da água (25º) sendo um mix de grande consumo e muito desperdício; gestão do lixo (24º) e transportes (24º). Neste último capítulo, refira-se que o mais difícil está feito, ou seja, a adesão da população aos transportes públicos - 70% das pessoas que fazem trajecto pendular para o trabalho (em Lisboa o valor nem chega a 45%). O problema reside no congestionamento de tráfego, fruto de falta de infraestruturas rodoviárias decentes (nomeadamente circulares) e também na vetustez dos meios de transporte públicos.
O ano passado também por este mês referi aqui o estudo da Mercer em que Varsóvia ocupava a 35ª posição mundial (nas cidades analisadas) relativamente a custo de vida para trabalhadores expatriados (tendo por base o dólar). E Lisboa estava em 2008 na 57ª posição.
As coisas mudaram porém. Em 7.7.08 o câmbio estava a 1 US Dollar = 2.11467 Polish Zloty. Hoje está a 1 US Dollar = 3.14559 Polish Zloty. Assim, para 2009 Varsóvia ocupa a 113ª posição (e Lisboa a 64ª posição). http://www.mercer.com/costoflivingpr#Top_50. Confirma-se que a Polónia voltou a ser barata para um estrangeiro (que não tenha salário em polónios claro). Para a restante malta, antes pelo contrário, perderam poder de compra (porque tudo o que é importado ficou mais caro).
Ps: Claro que comparativamente com o Euro, a perda cambial não foi tão grande, ficando-se pelos 25% (mas mais que suficiente para se notar o impacto).
Começando pela descrição básica, o metro em Varsóvia resume-se a uma única linha, com umas 20 e picos estações ao longo de uns 15km. Preço viagem: 2,80pln, mas nem sequer existem máquinas de venda automática de bilhetes. Regra geral as estações têm um ar asseado e nada claustrofóbicas.
Mas é no interior das carruagens (limpas e espaçosas) que se verifica o mais interessante. Por comparação ao metro de Lisboa, e escolhendo uma linha (a Verde) ao acaso, sabemos que andar de metro envolve todo um conjunto de experiências olfactivas (raramente agradáveis) provenientes de pessoas originárias de vários continentes. Em Varsóvia, não. Andei de metro (de dia e noite), e posso afiançar que nas carruagens em que me sentei, seria o único estrangeiro. Isto nada mais é do que o retrato fiel do pouco cosmopolitismo que ainda se sente na Polónia. Todavia isso não quer dizer que não existam experiências olfactivas causadas pelo calor de Verão no metro de Varsóvia. Existem, mas de produção (quase exclusiva) nacional.
Mesmo antes de chegar à Polónia, a imagem que polacos me venderam de Varsóvia foi tão má que só faltou dizer que ainda havia a peste negra. Crédulo, e sem um guia de viagem, cheguei vindo de Vilnius de autocarro e o que vi de Varsóvia foi o trajecto entre uma estação de autocarros decrépita e a estação central de comboios. E como estava com tanta pressa para apanhar o comboio para Cracóvia, consegui a proeza de estar em Varsóvia e nem sequer vislumbrar o Palácio da Cultura e da Ciência (fica AO LADO da estação).
Já este ano, trabalhando na Polónia, as opiniões que ouvi de polacos e estrangeiros em Cracóvia sobre Varsóvia não foram as melhores. Mesmo assim, naturalmente foi uma das primeiras cidades que visitei e devo dizer que gostei.
Como é sabido, a cidade foi praticamente arrasada no final da 2ª Guerra Mundial após o triste desfecho do Levantamento de Varsóvia de 1944. Como se isso não bastasse, foi sobre as directivas soviéticas que a sua reconstrução ocorreu. O resultado são ruas e avenidas bem largas, prédios cinzentos de linhas direitas, e generosos espaços verdes, à mistura com alguns belos palácios barrocos reconstruídos. Bonito, dentro do estilo.
Quem chegar a Varsóvia de comboio, à saida da estação vê logo o melhor da cidade: o Palácio da Cultura e da Ciência ("oferta" da União Soviética), que goste-se ou não da arquitectura, é um edifício imponente em qualquer local do mundo, e cujo contraste com os edificios modernos de 30 andares que o querem cercar, ainda o torna mais interessante. Mas isto é como começar uma refeição pela sobremesa, ou seja, pelo melhor. Tudo o resto irá saber a pouco, mas ainda assim é fundamental visitar o centro histórico (reconstruido) e também os belíssimos parques no centro da cidade. Se esperam ver algo do que era o Gueto de Varsóvia, é bom que tirem isso da ideia, uma vez que esta zona é na verdade uma das mais modernas, com hóteis e escritórios em abundância.
Sendo uma cidade com dois milhões de habitantes, um estilo de vida que me lembra bastante Lisboa, julgo padecer também de um problema de desertificação do centro histórico, pois cerca das 23h num dia de Verão excelente, foi fácil encontrar-me sozinho nas ruas. Desilusão completa é o desprezo a que o rio que banha a cidade está vetado. É pena.
Em suma, não é a primeira cidade que recomendo visitar na Polónia, mas provavelmente será a segunda. Porque é a capital, porque é uma cidade praticamente nova, e para que nos possamos aperceber do dinamismo económico deste país (vísivel nos automóveis, nos edifícios de escritórios, nos hóteis, etc). Varsóvia não me parece muito menos desenvolvida que Lisboa. Talvez mesmo nalguns campos, antes pelo contrário.