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sábado, janeiro 19, 2013

História da Polónia às três pancadas - XXII

Os vídeos falam por si. Varsóvia em 1938:


E a mesma Varsóvia entre 1939 e 1941:
 

sábado, novembro 17, 2012

História da Polónia às três pancadas - XXI



O despoletar da guerra foi possível graças a um acordo secreto de um Pacto de Não Agressão entre o regime Nazi e a União Soviética, assinada em Moscovo em 23 de Agosto de 1939 por Ribbentrop e Molotov. Através deste acordo, as duas partes desenharam um ataque conjunto à Polónia e aos países Bálticos, assim como a posterior divisão de território entre eles. Sem este conluio com os Soviéticos, a Wehrmacht não poderia arriscar um ataque unilateral à Polónia.
Mas como é sabido, esta parceria de guerra foi quebrada pelo ataque de Hitler em 22 de Junho de 1941, ou seja o início da Operação Barbarossa. Num espaço de duas semanas os soviéticos foram expulsos do leste da Polónia. E o plano geral dos nazis para a Polónia passava por redistribuir totalmente a população localizada entre os rios Oder (faz a actual fronteira entre Polónia e Alemanha) e Dniepr (atravessa Kiev e vai desaguar no mar Negro), introduzindo milhões de colonos alemães. Os polacos estariam destinados a um processo de germanização quando adequado ou a serem expulsos para lá dos Urais. Um número residual de eslavos também tornar-se-iam uma aglomeração de trabalhadores escravos sem grande acesso a educação.
Uma mudança significativa com este desenrolar de acontecimentos, foi que face a isto Estaline virou-se para a Polónia para que fossem aliados na luta conjunta contra os alemães. Por isso, e apesar de todos os problemas inerentes a uma aliança com a Rússia, a Polónia racionalmente preferiu ter um inimigo naquela altura ao invés de dois.
Fonte: “Heart of Europe”, por Norman Davies.

quinta-feira, março 08, 2012

Exposição sobre polacos em Portugal - Lublin

" Uma exposição sobre os polacos e outros exilados que viveram em Portugal durante a II Guerra Mundial está patente no Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões de Lublin, na Polónia.
 Uma versão portuguesa da exposição Os Polacos em Portugal nos anos de 1940-1945 foi já mostrada em Cascais, em setembro passado, com o título Exilados, Políticos e Diplomatas em Tempos Difíceis, em que, além do destaque dado aos polacos que passaram por Portugal e pelo Estoril durante a II Guerra Mundial, se evocava também através de painéis com imagens e textos outros grandes personagens e cidadãos estrangeiros.
À inauguração da exposição em Lublin assistiu, para além das autoridades universitárias, lideradas Andrzej Dabrowski, reitor da Universidade Maria Curie-Sklodowska, Jan Stanislaw Ciechanowski, autor da exposição e diretor do Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas da Repressão, entidade responsável pela sua montagem em Cascais e, na sua versão polaca, na Biblioteca Nacional, em Varsóvia, em dezembro passado.
Num texto publicado na revista em linha ‘Água Vai’, dos estudantes de língua portuguesa da Universidade Maria Curie Sklodowska, Monika Belowska escreve que nos anos 1940-1945 Portugal recebeu seis a sete mil refugiados da Polónia.
«Entre as pessoas que passaram por Portugal podemos destacar: o ex-ministro Ignacy Jan Paderewski, o general Władysław Anders, o general Józef Haller, o vice-ministro dos negócios estrangeiros Jan Szembek, a atriz Irena Eichlerówna», refere Belowska que recorda o estatuto de neutralidade durante a guerra que tornou Portugal um destino ou ponto de passagem para muitos refugiados, nomeadamente da Polónia, país que esteve ocupado a partir de 1939.
A exposição apresenta a vida dos polacos em Portugal, as suas formas de organização institucional (especialmente o Comité de Ajuda para os Refugiados da Polónia em Portugal), a atividade do serviço de espionagem e as relações entre os polacos e os portugueses.
Segundo Belowska, «é obvio que os polacos não podiam residir e formar as suas instituições no território português sem ajuda dos portugueses. Eles receberam os refugiados e ofereceram-lhes boas condições de vida, desenvolvimento político e deram-lhes a possibilidade de apoiar os polacos que estavam na Polónia»."

quinta-feira, outubro 27, 2011

Relações entre a UE e a Rússia: Um ponto de vista polaco

Cortesia do senhor Pires, fiquei a saber deste evento que vai ocorrer na Fundação Calouste Gulbenkian no próximo dia 23 de Novembro pelas 18h. Conta com a presença de Adam Michnik, que desempenhou um papel de relevo na oposição ao regime comunista da Polónia, é editor-chefe da Gazeta Wyborcza e vem falar sobre as relações entre a União Europeia e a Rússia, sob o ponto de vista polaco.
Se os informáticos não engatarem, dará para assistir pela internet aqui: http://live.fccn.pt/fcg/

sábado, janeiro 22, 2011

História da Polónia às três pancadas - XX

Oficialmente e na prática nunca houve uma rendição por parte da Polónia (os franciús p.ex. não se podem orgulhar do mesmo). Existiu um governo no exílio (em Londres) comandado pelo General Władysław Sikorski e na Polónia as actividades de resistência vieram por exemplo do AK – Armia Krajowa (exército nacional), não tanto através de combate mas antes por sabotagens e recolha de informação para o governo no exílio e aliados.
A nível militar, existiram muitos milhares de militares polacos a lutarem pelos aliados noutras frentes (França, Noruega, Síria, etc). Só no lado britânico, em 1944 chegaram a ser 195000. Destas acções militares salienta-se o contributo da força aérea polaca na “Battle of Britain” de 1940, beneficiando da sua experiência anterior durante a invasão da Polónia em 1939 onde também já tinham lutado. De novo, e para quem esteja interessado sobre o contributo dos esquadrões da força aérea polaca, recomendo livro “A question of honor” de Lynne Olson e Stanley Cloud.
Já agora, foi também graças ao trabalho de 3 matemáticos polacos que foi possível decifrar as mensagens produzidas pela Enigma (máquina alemã de encriptação de mensagens).

sexta-feira, julho 09, 2010

História da Polónia às três pancadas - XIX

Para descrever o que se passou na Segunda Grande Guerra Mundial na Polónia de forma minimamente assertiva e não maçuda, será feito por partes.
Durante a guerra, milhões de civis - incluindo virtualmente todos os judeus polacos - estavam destinados a serem executados em campos Nazis de concentração (http://en.wikipedia.org/wiki/Nazi_concentration_camps) que pouco após a invasão foram estabelecidos em território ocupado. Simultaneamente, os que eram feitos prisioneiros pelos soviéticos tinham como destino os não menos infames gulags (campos de extermínio pelo trabalho) - http://en.wikipedia.org/wiki/Gulag .
Logo na primavera de 1940 ocorreu um dos eventos que mais marcou (e ainda marca) os polacos: o massacre de Katyń (http://en.wikipedia.org/wiki/Katyn_massacre). Numa frase, Estaline decidiu eliminar a elite militar e de intelligentsia (médicos, professores, juristas) da Polónia num total de 21768 pessoas. Este massacre foi sempre negado pelos soviéticos até 1990.
A parte mais ocidental da Polónia foi desmembrada e integrada (p.ex Poznań) em territórios alemães já existentes, ou criadas novas zonas alemãs (ex. Gdańsk). Tudo o resto, incluindo Cracóvia e Varsóvia ficou sob administração alemã, que foi uma estrutura que visava explorar o trabalho dos polacos enquanto a guerra durasse. Aqueles que viviam na zona ocidental-central foram obrigados a deslocar-se para o centro da Polónia de modo a facilitar a germanização. Quem era de Gdańsk não precisava de se mudar, desde que mudasse para nomes alemães e naturalmente nacionalidade também.
Nota: Baseado no resumo do livro "The Rough Guide to Poland".
Nota II: O mapa mostra a não só a realidade das fronteiras da Polónia em 1937, bem como a diversidade cultural que tinha.

segunda-feira, abril 19, 2010

Smoleńsk, 10.4.2010...

..traduz-se na maior tragédia ocorrida na Polónia desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Com certeza que a morte de um presidente de um país (mesmo que a maioria da população até discordava fortemente das suas posições) num acidente de avião já é algo de trágico em si mesmo.
Mas morrer o presidente, a cúpula do exército, um conjunto de figuras políticas muito relevantes da luta anti-comunista num acidente com um avião russo, na Rússia, a escassos km de Katyń (onde há 70 anos foram executados 20000 militares da elite polaca pelos russos) para onde iam para prestar homenagem às vítimas é daquelas situações em que mesmo quem não acredite em nenhuma entidade suprema, pelo menos questiona-se sobre a existência ou não de algo como destino ou sina. E em tudo isto, a carga simbólica é avassaladora.
Ps: E até no funeral de Lech Kaczyński, mais uma ironia histórica. O mais alto representante estrangeiro presente foi o presidente da Rússia, não tendo estado nenhum governante dos países aliados da II Guerra Mundial (Reino Unido, França, EUA).

domingo, abril 11, 2010

A história por vezes repete-se...

...e o que aconteceu em Smoleńsk prova esta triste circunstância. E é inevitável pensar na suprema ironia dos vários factos em torno desta tragédia para a Polónia.
Na esperança que isto aumente a união dos polacos, as minhas sentidas condolências (moje najgłębsze kondolencje).

domingo, fevereiro 21, 2010

História da Polónia às três pancadas - XVIII

Pese embora o início oficial da 2ª Guerra Mundial seja a 1 de Setembro de 1939, já no ano anterior com a anexação da Aústria e da Checoslováquia tinha ocorrido o prelúdio da mesma. França e o Reino Unido não declararam guerra à Alemanha nessa altura, mas em Março de 1939 assinaram um acordo com a Polónia em que garantiam o seu apoio à sua manutenção de independência. O facto é que em Agosto de 1939 foi assinado o acordo de partilha entre alemães e soviéticos e a 1 de Setembro deu-se a invasão militar.
A Wehrmacht começou pela cidade de Gdańsk (para os alemães Danzig), os polacos lutaram e muito, mas quando a 17 de Setembro os soviéticos invadiram pelo leste da Polónia (cumprindo o tratado assinado), se dúvidas houvessem, a Polónia estava condenada. O Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha logo no dia 3 de Setembro, mas os factos é que no final de Setembro toda a Polónia estava invadida. Todavia não existiu uma rendição formal por parte dos polacos, passando o governo para o exílio em Inglaterra através de Władysław Sikorski. Apoio efectivo e militar por parte dos aliados França e Reino Unido não chegou nesta altura da invasão.

sábado, dezembro 05, 2009

História da Polónia às três pancadas - XVII

À semelhança de Portugal, também os anos 20 na Polónia foram ricos em molhada social e política, incluindo o assassinato de um presidente. Na mesma data que ocorreu em Portugal, Maio de 1926, um golpe militar é feito pelo Piłsudski (que retornou ao poder) para acabar com a bandalheira. O governo que o Marechal instituiu designou-se por "Sanacja", uma palavra eufemística para autoritarismo.
Aliás, e como a história o veio a provar, com vizinhos liderados por um propagandista de bigode rídiculamente pequeno e por um seu homónimo responsável entre outras barbáries pelo Holomodor, o destino da Polónia era inevitável. E negro.
Entalado entre estas duas potências, bem que se assinaram pactos de não-agressão, se procuraram apoios quer da França quer do Reino Unido, muito provavelmente mais bem que mal se recusou uma aliança com a Alemanha para invadir a Rússia, mas em 1935, vítima de doença, Piłsudski faleceu. Mas também, com a assinatura do pacto Molotov-Ribbentrop em 1939 nem 10.000 Piłsudskis valeriam para salvar a Polónia.
Ps: Por sugestão do médico, ainda passou alguns meses na Madeira para ver se a sua doença melhorava, mas contra um cancro do fígado, não basta o clima semi-tropical da ilha portuguesa-que-na-verdade-está-em-África.
Ps2: O seu epíteto foi o "benevolente", o que demonstra bem o que gostavam dele. Um ditador....benevolente. Um paradoxo.

quinta-feira, maio 21, 2009

História da Polónia às três pancadas - XVI

Coube a um senhor chamado Józef Piłsudski assumir as rédeas da renascida Polónia. E uma (se não a mais difícil) das principais tarefas passou pela definição das fronteiras do país. Após 123 anos de regabofe em que os três impérios vizinhos fizeram gato sapato do país, era importante saber o que era neste momento a Polónia.
Por um lado Piłsudski (que acabou por ganhar) defendia uma Polónia mais vasta, onde a tolerância étnica e religiosa predominasse (aliás, ele mesmo era oriundo da Lituânia), mesmo que para isso tivesse de haver confrontação pura e dura. Uma outra facção, eminentemente mais nacionalista, queria uma Polónia de polacos católicos, e logo de menor dimensão.
A definição das fronteiras foi basicamente uma grande bagunça (até faziam fronteira com Roménia e a Letónia), mas convém destacar duas coisas:
- a Guerra Polaca-Soviética (1919-20), cujo desenlace final fez com que a Polónia recuperasse significativos territórios da Lituânia (incluindo Vilnius), Bielorrússia e Ucrânia (que outrora fizeram parte da Polónia confederada do séc XVIII);
- Danzig (em polaco Gdańsk) deixou de ser alemã e passou a ser uma cidade-estado;


Explicação do mapa Polónia em 1921 em: http://www.rootsweb.ancestry.com/~polwgw/p1918.html

sexta-feira, abril 24, 2009

Revoluções portuguesas e polaca...similares em alguns pontos

Pois é. Talvez o que vá escrever seja um pouco forçado na busca de pontos em comum entre Portugal e a Polónia. Mas o que é facto é que na última grande revolução que houve em cada um dos países há pontos em comum, a saber:
- foram revoluções sem sal nenhum. No caso português isto é particularmente grave, pois trata-se de um país latino, com fama de pessoas de sangue quente.... mas depois não se aplicaram os mesmo métodos que ocorreram por exemplo em Itália....ou na Roménia. É que já passaram mais de 90 anos desde que se assassinou um governante (Sidónio Pais) ditador em Portugal. No caso polaco, tal e qual. Não quero aprofundar muito agora, mas a transição da ditadura comunista para a liberdade polaca conseguiu ainda ser mais suave que em Portugal. Revoluções frouxas portanto;
- muitas pessoas com bigode assumiram posições de responsabilidade em ambos os países....com os resultados que se viram. Também que esperar de pessoas que escolhem ter um apêndice capilar entre o lábio superior e o nariz, cuja única vantagem que vejo é que possibilitam a dispensa de guardanapo quando se come sopa;
- à falta de sangue, a cor das revoluções foram mesmo assim o vermelho. Em Portugal na questão dos cravos, na Polónia com o símbolo do movimento Solidarność. Também era o mínimo, pois afinal são cores da bandeira dos respectivos países;

sábado, março 28, 2009

História da Polónia às três pancadas - XV

Até 1914 (início da bagunça da I Guerra Mundial), a Polónia continuou mais ou menos no mesmo ritmo de sofrimento e de divisão. Principalmente nas regiões sujeitas a domínio da Prússia e da Rússia. E para estes impérios, já não bastava saber que havia respeitinho pelo imperador/rei. Tinha de existir um verdadeiro processo de integração dos polacos relativamente à língua, ao sistema de educação e à religião. Já no caso do império Austro-Húngaro, eram mais flexiveis quanto à autonomia a dar. Como se sabe hoje, e à posteriori, estes impérios não tiveram sucesso em erradicar (ou enfraquecer bastante) a cultura polaca, sendo de destacar a importância da igreja católica neste movimento de resistência, como elemento de coesão.
No entretanto, com o despoletar da guerra, a posição dos vários impérios variou significativamente. Isto porque com a necessidade de ganhar alianças, foram oferecendo "doces" aos polacos. Primeiro os russos e depois os alemães/austriacos. E em 1916 foi inclusive instaurado um "Conselho de Regência" que serviu de base à futura restauração da independência polaca em 1918 (após o fim da guerra). 123 anos de divisão chegaram ao fim. 11 de Novembro de 1918, início da segunda república polaca.

domingo, janeiro 25, 2009

História da Polónia às três pancadas - XIV

O século XIX foi sem dúvida negro na história da Polónia. Com o seu território tripartido pela Rússia, Aústria e Prússia foi dificil reconquistar a independência.
Das datas mais relevantes, assinala-se a insurreição (guerra) com a Rússia em Novembro 1830-1 em que soldados polacos tentaram matar o irmão do Czar da Rússia que mandava naquela parte da Polónia, em Janeiro de 1831 a assembleia polaca proclamou a sua independência face à Rússia. 180.000 soldados russos reestabeleceram a situação ainda nesse mesmo ano.
A segunda grande insurreição foi a 1863-4, mas em termos mais de guerrilha do que guerra propriamente dita. Nesta altura já as instituições políticas e militares estavam enfraquecidas ( nem sequer havia exército) e o destino dos revoltosos polacos sobreviventes foi a deportação para a Sibéria.
Mas se no campo militar as coisas correram mal, no campo da escrita as coisas nem tanto. Aliás, a escrita teve um papel fundamental em todo o acto da resistência. Certo que os maiores românticos da altura eram nativos da Lituânia, mas são igualmente polacos: Adam Mickiewicz, Juliusz Słowacki e Zygmunt Krasiński. O primeiro é considerado o maior poeta romântico polaco e da sua obra destaca-se o épico “Pan Tadeusz”. Não li (se nem li os Lusíadas na totalidade, também não vou ler épicos alheios), mas alguém que escreveu na wikipédia refere que o maior poema sobre a Polónia começa assim: “ O Lituânia, meu país....”.

domingo, outubro 26, 2008

História da Polónia às três pancadas - XIII

Estando sob o jugo de 3 monarquias imperiais absolutistas, foi mais do que natural que os polacos abraçassem os ideiais revolucionárias vindas da França. Tanto assim foi que muitos se exilaram em França num acto de resistência, e mais do que isso, foram constituidas legiões (3) polacas que lutaram com as cores de França na esperança de que um dia também conseguissem libertar a Polónia. Esperanças frustradas, pois nunca chegaram a lutar na Polónia.
De facto o Napoleão abriu mato pela Prússia adentro e conseguiu que fosse criado em 1807 um pequeno território chamado Ducado de Varsóvia. A malta obviamente ficou entusiasmada pois consegui-se criar algo com uma administração, exército, constituição parlamentar polacas. Todavia, o manda chuva estava sujeito a ordens francesas, o que por outras palavras significa, os planos expansionistas de Napoleão. Expandir para onde? Para leste! Leste significava guerra com a Rússia.
Como as invasões até ao momento até estavam a correr a jeito (Portugal que o diga também, franceses ladrões de merd*), em 1812 estala guerra à séria com a Rússia. As tropas chegaram a Moscovo, mas porque esta tinha sido previamente evacuada, logo não chegou a existir uma capitulação formal da Rússia. Aliás, a capital política era São Petersburgo. Saltando muitos detalhes, basicamente Moscovo foi com os porcos (incendiada) e com o contra-ataque russo os franceses iniciam a retirada desta invasão. O problema é que a geografia na Rússia é diferente do resto da Europa, as distâncias maiores, menos comida e mais frio (muito mais frio). Aliado a isso, os ataques russos aos abastecimentos às tropas francesas, e foi o início do fim da hegemonia napoleónica.
Com a retirada das tropas napoleónicas destas bandas, quem se lixou a seguir foram claro está os polacos que levaram na trombeta da Rússia e da Prússia. Aliás ao invés de se renderem, as tropas polacas preferiram lutar até ao fim mesmo com baixíssimas possibilidades de vitória. E algumas amantes polacas também deixaram de servir um ditator rodas baixas oriundo da Córsega. É o que dá confiar em francius.
Veio o congresso de Viena (1814-15), em que ficou decidido que não senhora, não ia voltar a haver Polónia independente. Isto porque a Rússia não iria ceder neste ponto, e os outros países também não estavam inclinados para ir contra a Rússia só por causa da Polónia. O Ducado de Varsóvia passou a chamar-se Reino de Congresso (Congress Kingdom) sob comando de Adam Czartoryski que obviamente recebia uns bitaites (ie, ordens) do Czar.

ADENDA: O Ricardo (www.tugasnapolonia.blogspot.com) teve o cuidado de me chamar à atenção que houve militares polacos envolvidos nas invasões francesas a Portugal (concretamente ao Porto). Cuidais que alguma vez na história houve portugueses envolvidos em invasões da Polónia, hein? No máximo, o mais próximo disso são as invasões de pêra rocha nas prateleiras dos Biedronka. E se mau já é existir uma rua em Vila Nova de Gaia chamada Rua dos Polacos, pior ainda é verificar que essa rua tem confluência na Rua do nosso poeta zarolho e é paralela à Avenida da República! Mais uma prova da incompetência do Menezes.

segunda-feira, agosto 11, 2008

História da Polónia às três pancadas - XII

(terceira via)....que passou por nada mais nada menos do que retalhar a Polónia. Coube à Prússia providenciar esta ideia em que os três impérios (Prússia, Rússia e Aústria) poderam molhar o pão na sopa (entenda-se, ficar com partes da Polónia). Isto ocorreu no ano da graça do senhor de 1772 e constituiu a primeira partição em que 30% da área do país foi com os porcos. Sem contar muito do fim, outras se seguiriam.
Face a isto, o que decide a Polónia fazer? Desenvolveu um programa de reformas que visava aumentar as liberdades do seu povo, e ao mesmo tempo incentivar o êxodo da população que se encontrava sob poder dos três impérios. Eu não sabia, mas a Polónia foi o 2º país (a seguir aos States) a criar uma constituição onde conceitos como liberdade, separação de poderes, governo, parlamento constavam. Sem ser um historiador (nem coisa que se pareça), criar uma constituição enquanto rodeado de países imperialistas na europa totalitária desta altura que já tinham invadido o país, foi no mínimo uma ideia.....arrojada. Outros poderão pensar em outros adjectivos, mas eu fico-me por arrojada e ao menos tentaram resistir. Ideia esta que deu para o torto: 1793 Rússia invade de novo, mais território para eles e para a Prússia (que ficou com Gdańsk - na altura Danzig).
No ano seguinte, liderado por Tadeusz Kościusko (heroi durante a guerra civil dos EUA), os polacos ainda ganharam uma batalha importante face aos russos mesmo se com bastante piores armas. Mas, a lei do mais forte prevaleceu e em 1795 lá se fez uma partilha do que sobrava da Polónia. Era a garantia do prolongamento de um período mais do que negro da história deste país. A partir de 1797 nem o nome Polónia já era usado. Vendo o desenho, e comparando em termos de áreas, facilmente se percebe quem foi o carrasco principal.
Nota: Sim, a Polónia antes desta molhada, e fruto da sua aliança com a Lituânia ainda se mandava para o grande.

domingo, março 09, 2008

História da Polónia às três pancadas - XI

Portanto, no início do século XVIII, com um modelo de governação fraco, e com a cada vez maior interferência dos governantes russos na gestão dos assuntos da Polónia (que sempre esteve e ainda está na fronteira entre a europa ocidental e a europa que fala russo, a funcionar como uma rolha) as coisas começaram mesmo a descambar forte e feio. Episódio elucidativo foi quando após terem elegido legalmente um rei em 1733, houve uma intervenção vinda de leste para colocar à frente da Polónia um rei mais porreiro (para os interesses russos, claro) e esse rei teve de bazar para França.
A meio deste século e por vontade do rei da Prússia, andou-se por aqui á batatada entre Polónia e Prússia numa região chamada Silésia, que a Polónia....uhm, perdeu. O objectivo seguinte da Prússia era conquistar mais território na praia (entenda-se a parte sul do Báltico).
Em 1763 surgiu um novo rei para a Polónia, que pelos vistos até tinha dado umas berleitadas (amante) com Catarina a Grande da Rússia, mas este rei tinha ideias um pouco mais reformistas para a Polónia. Convém referir que a principal fonte para estas ideias reformistas vinha de França, para onde aquele rei (Stanisław Leszczyński) que foi eleito uns anos antes se exilou. Esta foi a altura em que o iluminismo francês (Voltaires e companhia) se expressava pela Europa, e o Stanislau até escreveu em França um livro chamado “Voz livre como garantia de liberdade”. Ora como haviam ainda na Polónia algumas pessoas capazes de pensar, sentimentos de rebelião começaram a intensificar-se na segunda metade do século. E o rei que foi eleito com o apoio da Rússia em 1763 até nem desencorajava isto.
É bom de ver que a malta na Rússia tinha de encontrar uma solução para isto. Ou seria por meios políticos impedindo todas e quaisquer reformas, ou por meios militares com uma invasãozita para pôr os malandros dos polacos na ordem. Só assim, a Rússia podia ter descanso no seu quintal para a Europa. Mas ambas as soluções dariam bronca porque iam causar um alvoroço dos diabos, inclusive com a vizinhança imperial da Prússia e da Aústria. Impunha-se encontrar uma solução, uma terceira via.....

quarta-feira, agosto 29, 2007

História da Polónia às três pancadas - X

Se há coisas de que os polacos se orgulham, é dos seus exércitos. Mas como em tudo na vida, os recursos são escassos. Por final do século XVII, a Polónia tinha várias frentes nas quais lutar, surgindo ainda um inoportuno ataque por parte dos Turcos, esses malandros. E se os polacos conseguiram dar um enxoval de porrada a esses tipos em 1673, e ainda por cima repetir a dose sobre os mesmos em Viena, pagaram esse esforço com juros pesados. Dado os esforços de guerra, os efectivos sofreram uma significativa diminuição. E não foi também possível manter territórios, que foram por exemplo para a Rússia (caso da Ucrânia) ou para a Prússia que pretendia tirar da Polónia o acesso ao mar báltico.
E no século seguinte inicia-se uma cada vez maior influência por parte da Rússia, e os reis polacos passaram a responder cada vez mais a imperadores como Pedro, o Grande. Acontecimento importante foi uma sessão do parlamento polaco que ficou conhecida por "Parlamento Silencioso" de 1717 (Silent Sejm, in English), que entre outras coisas limitou que o exército polaco-lituano a 24000. Desastre avistava-se.

sexta-feira, julho 20, 2007

História da Polónia às três pancadas - IX

Continuando a falar do período da República dos Nobres, no início do séc. XVII começou a marcar-se o declínio da Polónia. No campo religioso, a intolerância começou a aumentar com a maior aproximação a Roma. Entre outras coisas, os ortodoxos da Ucrânia não gostaram muito disto e começaram-se cada vez a aproximar mais de Moscovo.
Além disso, durante cerca de 60 anos a Polónia foi liderada por membros católicos da Dinastia Waza (oriunda da Suécia). Os suecos (protestantes que eram) também não gostaram muito da brincadeira. Para compor o ramalhete, o Ducado da Prússia iniciou uma campanha de expansão territorial na zona do Báltico.
Definido nos livros de história como um dos reis mais "ovelha negra" da Polónia, o reinado de Jan Kazimierz (1648-68) teve acontecimentos desastrosos: revolta dos Cossacos na Ucrânia, uma invasão vinda do Norte por parte da Suécia, ataques vindos da Prússia, assim como invasões ainda de Muscovitas, Tártaros e rapaziada da Transilvânia. O país ficou de pantanas e pelo menos 1/4 da população foi-se. Facto marcante desta altura foi o início do uso do Liberum Veto (em 1652), em que um único voto do Parlamento Polaco (Sejm) era suficiente para encalacrar a acção governativa pois não havia unanimidade. Com tamanho poder de veto, a nobralhada começou a abusar deste instrumento e assim começou a grande Polónia a ir pelo brejo.

quarta-feira, junho 20, 2007

História da Polónia às três pancadas - VIII

Em 1569, e como forma de solucionar uma crise de sucessão, foi assinado o Tratado de Lublin que estabeleceu a união entre as repúblicas da Polónia e da Lituânia. E um par de anos depois foi criado algo a que se chamou a República dos Nobres. Em poucas palavras, neste sistema o rei era na prática dominado pela nobreza, como se fosse um funcionário, tendo de se submeter a eleições. Existia uma espécie de Parlamento, e competia a um conjunto de senadores ainda outras coisas como lançar impostos ou declarar guerra.
Para a época isto foi um grande avanço em termos de democracia, pois o rei não tinha o poder supremo. Mas por outro, uma nobreza com tamanho poder, pode insistir no feudalismo em cada uma das suas áreas de poder. Isto não era nem foi bom para a Polónia, pois não é dificil perceber que a plebe não devia gostar muito de um sistema tão feudalista em pleno século XVI e XVII.
Este sistema de eleição de reis permitiu ainda eleger "gestores" estrangeiros (por ex. da França, Hungria ou Suécia). Curiosidade ainda, li algures que destes reis eleitos constou um religioso fervoroso, um homossexual, um glutão, e mesmo um pai de 300 filhos.