domingo, novembro 19, 2006

Calçado português na Polónia e em força

Esta é uma montra de uma loja sita na rua (Florianska) mai bonita e comercial de Cracóvia, que pelos vistos se especializou em calçado feito em Portugal. Porreiro pensarão as mentes mais imediatistas. As exportações portuguesas aumentam, mesmo num país um pouco distante como a Polónia o nosso calçado revela que tem qualidade, e que os nossos empresários conseguem adaptar a sua produção de acordo com as preferências dos consumidores polacos. Ora bem, é exactamente neste último ponto que reside o busílis (alguns erroneamente dizem ex-líbris) da questão. Andam-se a fazer em Portugal sapatos que em jargão do sector do calçado, são apelidados de feios. É que se já é um facto consumado que a moda da sabrina (que na Polónia é rainha) também já apanhou as mulheres portuguesas, espero que os tugas não usem sapatos dos polacóides. Nós não estamos na vanguarda do estilo, mas eu mais facilmente andava com sapatilhas Sanjo.

sábado, novembro 18, 2006

Sinalização vertical de trânsito polaca

Quando vi este sinal pela primeira vez, vários pensamentos desfilaram na minha mente. A saber:
1- Como é que um homem deste tamanho caberia dentro deste carro?
2- Os peões neste local andam a correr à frente dos automóveis?
3- Porque é que o boneco parece estar a cair se ninguém/nada lhe tocou? Será o João Pinto?
4- O que raio quer dizer Wypadki?

Toda esta preocupação da minha parte revelou-se bastante precipitada, pois uns metros mais à frente, e após ver este semáforo, fiquei perfeitamente descansado relativamente à capacidade dos polacos entenderem os sinais de trânsito.



sexta-feira, novembro 17, 2006

Sons daqui

Para que não fique a ideia no ar de que na Polónia só existe música tradicional, achei que devia também falar sobre outros estilos musicais.

Antes de mais, e talvez nem todas as pessoas saibam, o Chopin nasceu na Polónia e tinha o nome de Fryderyk Franciszek Chopin. Já naquela altura o mundo da música (a clássica então nem se fala) era um mundo cão, pelo que para singrar e aproveitando a sua mudança para Paris, por sugestão dos marketeers da sua editora, mudou os nomes próprios para Frédéric François. Diz-se que ele foi um bom compositor. Não tenho conhecimentos para avaliar, mas tem uns ritmos engraçados.

Mas, mudando para algo mais actual, verifico que o Jazz tem bastante saida por estas bandas, e apesar de já ter ido a concertos que se revelaram uma estopada daquelas que até deu para dormir, também já houve dos bons (e isto por amadores). No campo dos artistas profissionais, e segundo fontes polacas, Leszek Możdżer é um bom exemplo do bom nível actual do jazz polaco.

Para quem goste de algo mais a mandar para o Pop, existe por exemplo uma cantora que alia um 2º lugar no disputadíssimo concurso da Eurovisão de 1994 (quem não se lembra disso), com 3 capas da revista Playboy. O seu nome é Edyta Gorniak.

Outros nomes para procurar no Youtube ou noutros sítios que tais: Sojka , Raz Dwa Trzy e Maria Jopek.
Ps: se não perceberem nada da língua, não se assustem muito.

domingo, novembro 12, 2006

Polka not Polska

- Chewbacca é um Wookie com 2m de altura, e no entanto vive no planeta Endor juntamente com uns anões dos Ewoks.
- António Guterres foi dos mais indecisos e incompetentes governantes portugueses, e posteriormente foi nomeado para Alto Comissário das Nacões Unidas para os Refugiados.
- Existe uma dança chamada Polka, mas que na verdade é originária da República Checa.
Será que isto faz sentido? Claro que não, nada disto faz sentido!
Bem, nem tudo. Em relação às duas primeiras situações não encontro explicação, mas em relação à Polka, este nome foi atribuido como forma de homenagem dos checos aos polacos aquando de uma rebelião contra a Rússia em 1830.
A título de curiosidade, uma das danças típicas da Polónia chama-se sim Polonez.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Afinal estou a viver na Galicia

Pois é. Devo andar ao engano. Pensei que vinha viver para a Polónia, e afinal descobri que o sítio onde vivo pertence a uma região que anteriormente se chamava Galicia. Como em Portugal sou considerado mouro,será que agora passo a ser galego? Bom, acho que não, porque de facto esta região já não existe.
Como se pode observar pelo mapa abaixo, esta região que existiu até ao final da II Guerra Mundial era constituída por territórios que actualmente pertencem à Polónia e à Ucrânia, remontando a sua génese a finais do século XVIII aquando da ocupação austríaca.
Agora porque é que os malandros dos aústrios deram este nome é que não faço ideia. E muito sinceramente, uma vez que não é possível ninguém me poder chamar de facto galego, nem estou muito preocupado em saber.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Viagens na terra de outros - Cracóvia a Varsóvia

Quem faça a viagem de comboio entre Cracóvia e Varsóvia, terá a oportunidade de ver duas cidades pelo caminho. Estas cidades coincidem com o ponto de partida e o ponto de chegada. Nos 300 km que separam as duas cidades, as únicas paisagens que se vislumbram pela janela são quintas, quintas e mais quintas. Cidades, népia. Indústria, nicles. Montanhas, neribi.
Como é característica da Polónia, estas quintas são de pequena/média dimensão (menos de 50 hectares), totalizando mais de 2 milhões de propriedades. Talvez por isso, actualmente este sector ainda emprega 25% da população activa (para quem não sabe, face a países desenvolvidos, é um valor quase absurdo), contribuindo com pouco mais de 3% para o PIB. É pois o reflexo de uma agricultura pouco eficiente e pouco orientada para o mercado, e que constitui um desafio para a Política Agrícola Comum da UE conseguir ajudar (ou não) à sua re-estruturação.
De entre os produtos mais populares existe a bela da batata, o bom do milho e não podemos esquecer a vacaria no lado da pecuária.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Cuidadinho a andar a pé

Que as linhas longitudinais contínuas mereciam igual respeito por parte dos condutores polacos, do que eu dou às palavras do Mário Soares já eu sabia. Que existem sinais de trânsito que indicam que o carro deve ser estacionado metade na estrada, metade em cima do passeio (assim a modos que de ladecos), também já me habituei. Mais, que as passadeiras não passam muitas vezes de manifestações artísticas por parte dos cantoneiros polacos custou um pouco a compreender, mas já tomo os cuidados devidos para atravessar a rua.
Agora o que é inadmissível é que tenha sido alvo de uma tentativa de atropelamento (consumada para a outra pessoa que estava comigo na altura) por parte de um condutor enquanto eu estava no passeio, e aquele troglodita sobe o passeio todo à minha frente, e muito descontraidamente começa a fazer marcha-atrás como se eu fosse ali uma entidade sobrenatural, logo sem existência física (e se calhar jurídica). Sei que não se devem fazer generalizações, mas parece que a Farinha Amparo também anda a distribuir cartas de condução neste país. E ao contrário de Portugal, não é só a mulheres.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Viagens na terra de outros - Varsóvia

Mesmo antes de chegar à Polónia, a imagem que polacos me venderam de Varsóvia foi tão má que só faltou dizer que ainda havia a peste negra. Crédulo, e sem um guia de viagem, cheguei vindo de Vilnius de autocarro e o que vi de Varsóvia foi o trajecto entre uma estação de autocarros decrépita e a estação central de comboios. E como estava com tanta pressa para apanhar o comboio para Cracóvia, consegui a proeza de estar em Varsóvia e nem sequer vislumbrar o Palácio da Cultura e da Ciência (fica AO LADO da estação).

Já este ano, trabalhando na Polónia, as opiniões que ouvi de polacos e estrangeiros em Cracóvia sobre Varsóvia não foram as melhores. Mesmo assim, naturalmente foi uma das primeiras cidades que visitei e devo dizer que gostei.

Como é sabido, a cidade foi praticamente arrasada no final da 2ª Guerra Mundial após o triste desfecho do Levantamento de Varsóvia de 1944. Como se isso não bastasse, foi sobre as directivas soviéticas que a sua reconstrução ocorreu. O resultado são ruas e avenidas bem largas, prédios cinzentos de linhas direitas, e generosos espaços verdes, à mistura com alguns belos palácios barrocos reconstruídos. Bonito, dentro do estilo.

Quem chegar a Varsóvia de comboio, à saida da estação vê logo o melhor da cidade: o Palácio da Cultura e da Ciência ("oferta" da União Soviética), que goste-se ou não da arquitectura, é um edifício imponente em qualquer local do mundo, e cujo contraste com os edificios modernos de 30 andares que o querem cercar, ainda o torna mais interessante. Mas isto é como começar uma refeição pela sobremesa, ou seja, pelo melhor. Tudo o resto irá saber a pouco, mas ainda assim é fundamental visitar o centro histórico (reconstruido) e também os belíssimos parques no centro da cidade. Se esperam ver algo do que era o Gueto de Varsóvia, é bom que tirem isso da ideia, uma vez que esta zona é na verdade uma das mais modernas, com hóteis e escritórios em abundância.

Sendo uma cidade com dois milhões de habitantes, um estilo de vida que me lembra bastante Lisboa, julgo padecer também de um problema de desertificação do centro histórico, pois cerca das 23h num dia de Verão excelente, foi fácil encontrar-me sozinho nas ruas. Desilusão completa é o desprezo a que o rio que banha a cidade está vetado. É pena.

Em suma, não é a primeira cidade que recomendo visitar na Polónia, mas provavelmente será a segunda. Porque é a capital, porque é uma cidade praticamente nova, e para que nos possamos aperceber do dinamismo económico deste país (vísivel nos automóveis, nos edifícios de escritórios, nos hóteis, etc). Varsóvia não me parece muito menos desenvolvida que Lisboa. Talvez mesmo nalguns campos, antes pelo contrário.

domingo, outubro 29, 2006

Lisboa vs Cracóvia by night

Se comparar uma saída à noite em Lisboa com o mesmo em Cracóvia, facilmente chego à objectiva conclusão que prefiro bem mais sair em Cracóvia, e que sair em Lisboa dá uma trabalheira dos diabos.

Lisboa:
20.00: Saída de casa e caminhada de 3 min até ao carro estacionado;
20.03: Carro bloqueado por um marmelo que estacionou em 2ª fila. Buzinadelas até o desrespeitoso proprietário chegar. 1ºs impropérios da noite já foram proferidos;
20.05: Início da viagem até ao sítio onde se irá jantar;
20.15: Estrada em obras e desvio forçado da rota traçada;
20.25: Chegada às proximidades do sítio do jantar e busca por um lugar de estacionamento livre e não pago;
20.35: Resposta a telefonema de amigo pedindo desculpa pelo atraso devido a ainda andar à procura de lugar para estacionar;
20.40: Desistência de procurar espaço grátis, e estacionamento em parque subterrâneo de centro comercial;
20.45: Chegada ao local combinado para jantar, com 15 min de atraso;
23.00: Fim do jantar. Ida para tomar café num sítio perto. O carro continua no parque;
0.30: Após fim do café, regresso ao carro. Custo do parque: € 3.60. Um roubo. Rajada de palavrões;
0.50: Perto do Bairro Alto inicia-se mais uma busca por um lugar de estacionamento livre (e desta vez não quero dar mais dinheiro a chulos);
1: Local a cerca de 10 min a pé mas com uma subida dolorosa pela frente, encontra-se livre. Após fechar a porta deparo-me com um delinquente que me diz algo do género: “oh, não me orientas aí uns trocos”. Impulsos violentos e comentários à la CDS-PP são reprimidos. Lá dou 40 cêntimos. Espero que seja do agrado dele e que não me lixe nada no carro;
1.10: Chegada às ruas estreitas do Bairro Alto, impestadas de freaks, estudantes simpatizantes de esquerda caviar, betos da Linha e de Campo de Ourique, chungaria da Amadora, mariconços, estrangeirada, etc e tal. Locais simultaneamente sossegados, agradáveis, com boa música e sem névoa: Zero, neribi, nicles. O único sítio que realmente consigo gostar de estar é o BedROOM;
3.00: Após estar duas horas em pé nas ruas do bairro, a fumar erva à borla, a levar com duas jolas em cima, e com o simpático número de 467 pessoas que abriram caminho, roçando-se em mim, decido que é hora de ir para casa;
3.10: Chegada ao carro;
3:20: Chegada à minha rua;
3:50: Estacionamento do carro, numa rua a 7min de minha casa, porque não havia uma porcaria de lugar mais perto às 4 da matina para estacionar no meio de Lisboa;

Cracóvia:

20.00: Saída de casa a pé para ir jantar;
20.10: Chegada a restaurante bom, barato e com uma decoração bem conseguida;
22.00: Após escolher sítio para ir tomar café, curta caminhada de 5minutos até sítios bem giros como o Loch Camelot;
22.45 até 1.00: Deambulação por alguns bares (dentro de uma lista de 300) onde é SEMPRE possível arranjar um lugar sentado, no máximo a 15minutos de distância a pé, com final (opcional) em discoteca;
1.10: Chegada a casa.

Não entrando sequer em comparações acerca da qualidade dos locais (fica para próxima oportunidade), se ficar só pela conveniência, Cracóvia dá baile a Lisboa.

Nota: Toda esta comparação não é justa, uma vez que devia comparar Lisboa com a capital Varsóvia. E em Varsóvia, para sair à noite, o carro também é quase indispensável se quisermos aproveitar ao máximo.

segunda-feira, outubro 23, 2006

As escolhas do professor II

Antes de começar a ler algo mais concreto sobre a história da Polónia, achei que era necessário um enquadramento geral deste terra no contexto histórico europeu. Tal como li em relação a Portugal um livro que compactou a nossa história em 700 maçadoras e mal escritas páginas (não vou fazer publicidade negativa em relação ao mesmo), comprei um livro que em 600 páginas abarca a história de TODA a EUROPA desde os tempos da Grécia antiga até aos nossos dias.
O detalhe não é grande nem pequeno (não existe) e salta de assuntos vertiginosamente. Mas para almas ignorantes como a minha, deu para ficar com uma ideia do que se passou para lá de Badajoz nos dois últimos milénios.
O livro chama-se "The Penguim History of Europe", não é uma obra-prima, mas cumpre o objectivo a que propõe: sumarizar momentos importantíssimos da história em uma ou, loucura das loucuras, duas páginas. Não sei se há a versão em português, mas duvido. Livro útil e razoável base de partida para leituras mais a sério.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Começou hoje oficialmente a...

...época das temperaturas negativas na minha terceira cidade (Cracóvia). Máxima de 11 e mínima de -3º C. O que vale é que isto só dura até Abril, e outra das coisas boas é que vou estar sempre a bater recordes de temperaturas mínimas suportadas. Esta será a minha primeira experiência a viver num país onde de facto faz frio como o ca..mandro, mas pela roupa que muitas pessoas já usam nas ruas não sou nem pouco mais ou menos o mais friorento. Brrr!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Polska-Portugalia, o rescaldo


Custos: Bilhete: 60pln. Transporte: 40 pln. Menu McNuggets: 11,50 pln. 235km percorridos. 3,45horas desperdiçadas na viagem. E para quê? Para ver Portugal escapar miraculosamente a uma cabazada que a Polónia, se tivesse tido sorte, daria sem problemas. Visto por este prisma, agora poderia discorrer aqui sobre a enorme falta de respeito que os jogadores portugueses demonstraram pelos emigrantes, ou questionar se eles vieram à Polónia para jogar futebol ou para mirar loiraças. Era muito fácil...não vou por aí.
Houve outras coisas bem mais positivas como por exemplo ir ver o jogo com colegas de trabalho polacos, que ao início estavam pouco confiantes no resultado, mas que na minha modesta opinião, devem ter assistido ao vivo ao melhor jogo de futebol da vida deles. E Portugal foi o bombo da festa.
O estádio por seu lado tinha o mesmo nível de conforto austero do Estádio do Jamor, mas com os 40.000 espectadores bem animados e barulhentos, o ambiente foi engraçado. Aliás, aquilo quase parecia o Estádio da Luz. As cores da Polónia são vermelho e branco, têm uma águia como símbolo, a "melodia" de fundo de alguns dos cânticos é igualzinha às portuguesas. Enfim, só faltava mesmo o garrafãozinho de tintol.
Já agora, em relação aos cânticos, o que se ouvia mais era: "Braaaannnco e Veeerrrrmelhoooooooo (pausa) Branco e Vermelho, Branco e Vermelho, Branco e Vermelho" ou "Somos os primeiros" ou também "Nós agradecemos", intercalado com, julgo eu, o hino cantado umas quatro vezes. Tivemos ainda direito a fazer umas Olas, e em que numa das vezes deu quatro voltas ao estádio, já com Portugal a levar duas batatinhas. E eu, para evitar chatices, lá tive de me levantar e fazer de conta que estava muito contente com aquilo.
Para finalizar, confesso que antes do jogo estava algo apreensivo em relação à reacção dos adeptos polacos ao verem um grupo de portugueses (deviamos ser uns 100 espalhados pelo estádio), eu levava a camisola do Figo bem visivel por cima de uma sweat-shirt, e não só não levei nenhuma boca foleira, como todos se mostraram muito amistosos connosco (antes, durante e após o jogo), tendo nós ainda sido alvo de assédio papparaziano. Ainda me lembro quando fui ao estádio de alvalade e só porque levava um blusão vermelho, ouvi palavras menos bonitas em relação à minha masculinidade. Nota para o público polaco, 20 valores (desde que seja com a selecção). Porque em jogos entre clubes, o ambiente pode ser de cortar à faca.
Em suma, um bom jogo da Polónia, a equipa adversária recusou-se a jogar futebol, e um público entusiasmadíssimo. Mas bolas, o futebol é algo mesmo cruel. Perder com a Polónia, minha nossa, algo dolorosamente surpreendente.

segunda-feira, outubro 09, 2006

3ª coisa mais importante na vida a seguir a..

..beber e comer, é como não podia deixar de ser o falar ao telemóvel. Pelo menos era assim que funcionava quando deixei as belas praias lusitanas. As coisas aqui pelo centro da Europa não são tão extremas. Não que qualquer chavalo não deixe de ter o seu telemóvel, mas pelo menos aqui as pessoas são capazes de ir almoçar sem levar o telemóvel (situação parcialmente explicada pelo almoço demorar menos de 20min) e ao escrever sms em vez de abreviarem as palavras ainda as aumentam (por exemplo, sms passa a ser smsa!!). Isto não é viver, é sobreviver.
Tendo à disposição três operadoras de telemóvel (Era, Orange e Plus), resolvi inventar e escolhi a pior. A saber, Plus. Ou pelo menos é a que tem menor quota. Porquê? Porque foi a que vi com telemóvel com preço mais barato. 179 zlotys por um Sony-Ericson que me oferece o mesmo nível de status de um pastor do concelho do Mogadouro, sem contrato de fidelização e cartões recarregáveis de chamadas foi a minha desgraçada escolha, cujo fardo da ostracização carrego agora.
Prova do atraso de Portugal e da ronha da Anacom é a facturação ao segundo desde o primeiro minuto que existe na Polónia, e não em Portugal. Assim, uma chamada do género: "Atão Pawel, onde tás?....No bar da empregada jeitosa ruiva?Ok, vou ai ter. Até já" fica mais barato que um sms. Para carregar as chamadas, compra-se um cartão em quiosques/supermercados, raspa-se um código, escreve-se isso e zás, está carregado.
Mas francamente, como conseguem viver estas gentes sem pelo menos 2 telemóveis. É que nós não conseguimos.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Waiting for the winter

Huguinho, Zézinho e Luisinho com a crew em Cracóvia

domingo, outubro 01, 2006

Momento Eduardo Cintra Torres

Não tendo eu o nível de conhecimento do Edu acerca do mundo audiovisual, não posso apagar o meu passado como espectador televisivo (por exemplo, treze horas seguidas a ver televisão no já longínquo ano de 1989, em que no meio papei Natal dos Hospitais do princípio ao fim). Apesar deste vício da televisão ter sido mitigado, mesmo na Polónia não deixo de ver a televisão, com os 6 canais (um mais de notícias, outro desporto e os restantes generalistas) de acesso público.
Comparando com Portugal, noto que no prime time existe mais oferta de programas de debate político, ao invés de novelas. Tirando isto, a grelha televisa não é muito diferente da portuguesa. Existem até programas iguais (Pegar ou Largar, p.ex). Mas o meu programa favorito é uma chachada de concurso que dá lá para a meia noite, e que consiste em telefonemas de telespectadores para consoante as pistas dadas pelas apresentadoras, adivinharem umas palavras e assim ganhar umas milenas de zlotis. Qual a piada disto? As apresentadoras, claro está, que além de serem bem parecidas, estão em bikini a falar pela televisão com pessoas ao telefone (nada mais natural).
É pena é não conseguir ver filmes aqui. Não porque eles não passem, mas pela forma como são (mal)tratados pela televisão polaca. Legendas, nah. Dobragem de vozes, nah. O que fazem então? Têm um zé-maria-pincel que por acaso até tem uma boa voz, a fazer TODAS, repito, TODAS as vozes num filme com um tom que não ultrapassa o monocórdico. Pior, muitas das vezes ainda é possível ouvir o som original ao mesmo tempo, por baixo da narrativa. Quando me contaram isto, não quis acreditar, mas é verídico. Só visto e ouvisto. Se não fosse um info-excluído, tentava arranjar um som para pôr no blog. Nem quero imaginar como seria isto em Portugal! Provavelmente num filme da Monica Bellucci tinha o Eládio Clímaco a fazer a voz dela numa cena mais tórrida.Tava o filme estragado, ah pois estava.
Os defensores deste sistema argumentam que é algo que os polacos já estão habituados, e que é útil para as pessoas mais velhas verem televisão. Até pode ser que sim, mas devia haver filmes limpos deste vandalismo. O que é que interessa a um idoso polaco ver por exemplo Sex And the City? Aliás, nem devia ver isso, que ainda lhe dá uma taquicárdia.

sábado, setembro 30, 2006

Polska-Portugalia

Polska-Portugalia, Chorzow 11 października 2006r. o godzinie 20.30.
Já está comprado o bilhete, lugar razoável, companhia tuga e polaca. É só esperar que a Polónia não se arme aos cucos e mantenha o seu nível futebolístico para eu ficar contente.

sexta-feira, setembro 29, 2006

E eu estou aqui

Como é sabido, o Millennium BCP está presente na Polónia, chamando-se aqui Millennium Bank. Portanto, uma pessoa vai muito bem descansadinho na rua, e de repente, zás, leva com aquele cor de rosinha na retina. Como tinha de escolher um banco para colocar as minhas zlotianas poupanças, assim como assim, mais vale um banco de origem portuguesa.
Tempo de abertura de conta: 10min. Documentos necessários: passaporte. Tempo para ter cartão multibanco: 5 dias. Horário do banco: 9 às 18h, estando alguns abertos também ao sábado. Estranho, parece que é possível os bancos terem um horário decente, e que de facto se ajuste aos horários dos clientes. Pena que em Portugal isto não se aplique.
Só existe um pequeno grande senão à primeira vista no sistema bancário polaco. A não existência de uma entidade como a SIBS, faz com que haja vários tipos de caixas ATM. E claro está, de cada vez que levantar guito numa que não pertença ao grupo do Millennium, tenho de esburgar com uma taxazinha (1 zloty). É psicologicamente chato.

No supermercado

Com grande pena minha, não existe um supermercado da Biedronka no centro de Cracóvia. Assim sendo, tenho de fazer as compras em sítios com nomes como Lewiatan (pequenas compras), Kaufland ou Intermarché (que na Polónia se chama Intermarchego).
As diferenças que mais noto são a existência de zonas específicas para a venda de bebidas alcoólicas dentro dos supermercados maiores (pagam-se as bebidas separadamente e depois continuamos com as compras) e uma dificuldade em encontrar bifes de vaca na maioria dos supermercados. Para as florzinhas que gostam de comer peixe, é bastante dificil encontrar algo fresco (truta, salmão e com muita sorte, dourada é o que há). Mar a 600km dá nisto.
Como curiosidades aponto os pacotes de sumo de 2litros (em que 1 é inteiramente grátis), iogurtes de meio kilo, e peixe em frascos (dificil de descrever, e que ainda não provei). Excluindo isto, a língua polaca e a inexistência de pessoas brasileiras a atender-nos, podia estar num supermercado nacional. Bem, mas mesmo para um carnívoro inveterado como eu, sinto a falta do cheirinho a peixe num supermercado, quanto mais não seja, para apressar o passo das compras.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Ir de A para B em Cracóvia

Falando da cidade que eu conheço melhor, Cracóvia, as opções não são muito dificeis de explicar.

Opção 1 - Membros inferiores do corpo humano: ideal para dia e noite se o objectivo for andar pelo centro da cidade, que além de ser plano, é relativamente pequeno e onde a maior parte dos pontos de interesse se concentram. Os passeios são regra geral largos, se bem que ao nível do estacionamento automóvel em cima dos passeios a situação é igual a Portugal (desrespeito). Atravessar as ruas, principalmente nas passadeiras pode até desafiar a paciência do chinês mais característico, pois não raras vezes passam 5, 10, 15 carros e nenhum deles para por livre vontade. Facto curioso é o respeito dos peões pelo sinal vermelho (às vezes, pelas 2/3 da manhã ainda se podem ver pessoas numa avenida vazia de carros à espera que o sinal mude de sinal para atravessar (há multa prevista para os impacientes!);

Opção 2 - Bicicleta: número de ciclovias em crescimento, mas claramente insuficiente. É mesmo muito normal ver ciclistas a pedalar nos passeios porque nas estradas não há espaço/é perigoso. Mas mesmo assim, vê-se um número razoável de pessoas de bicicleta. Já agora, o preço de aluguer de uma bicla é de €1,25/hora (baratito). Ideal para percursos pendulares de até 30/40minutos;

Opção 3 - Tram: Há-os para vários gostos. Os redondinhos (ver foto) e com pelo menos 40 anos e bancos de madeira, têm carisma mas pouco conforto (principalmente para o traseiro e costados). Os mais novos, sim senhoras, convencem e são ainda mais modernos por exemplo que as carruagens do “Metro” do Porto, tendo inclusive máquina automática de vender bilhetes no interior da carruagem. E depois, há a maioria constituida por equipamentos com 25/30 anos, remodelados por dentro mas com um conforto mediano. Em cada paragem existe uma tabela actualizada com os horários de cada tram, que são consideravelmente fiáveis. Tal como na maior parte dos países, é normal ver três trams seguidos com igual destino final, como depois estar uns 15minutos até que passe só um (exasperante).

Opção 4 – Autocarro: Muitas vezes mais aconchegados que os trams, logo sempre que há opção entre os dois, ganha o tram. Claro está que a rede de autocarros é bem mais extensa. O passe de autocarro e tram para um mês custa Eurios 25.

Opção 5 – Automóvel: Com gasolina a mais de Euro 1, uma taxa de roubos de automóvel acima da média europeia e um estilo de condução dos terceiros a exigir habituação, não constitui uma alternativa inteligente para quem viva no centro de Cracóvia.

Conclusão: Vencedoras ex-aequo foram a opção 1 e 3.

domingo, setembro 24, 2006

Nowa Huta

Algumas pessoas com quem tinha falado tinham-me desaconselhado visitar esta parte da cidade, porque seria feia e mesmo perigosa para um estrangeiro visitar. Medricas como sou, papei esta opinião durante algum tempo, mas finalmente decidi que tinha de conhecer um exemplo do planeamento urbanístico comunista.
Saindo do tram, na Plac Centralny, choque imediato. Uma praça onde convergem três grandes avenidas, com um pequeno jardim muito bem tratado, e grupos de idosos sentados a aproveitar um soalheiro dia. Nem vou referir como ficaram os meus níveis de adrenalina ao ver isto.
Para ser conciso, trata-se de uma cidade construida a partir do zero durante os anos do comunismo, e que traduz a aplicação do realismo socialista no urbanismo.


Se por um lado gosto das linhas rectas, da simetria das ruas e da disposição dos prédios, não me agrada que as únicas variações nas cores das fachadas dos prédios ande em torno do cinzento. Isto sem falar do facto de os prédios parecerem (e se calhar são) todos iguais. Mas pelo menos no Verão este cinzentismo é colmatado pelos inúmeros espaços verdes existentes. De certeza que não é a zona mais bonita de Cracóvia para viver, mas também já vi bem mais feias em Lisboa (não vou mencionar áreas, mas quem conhece sabe do que falo).

sábado, setembro 23, 2006

E nos entretantos estamos no Outono

Park Ratuszowy

quarta-feira, setembro 20, 2006

É uma casa polaca concerteza

O esquentador está dentro da casa de banho? A cozinha é uma bancada com 1 metro de largura, e tem um ou dois (se tiver sorte) bicos de fogão? O sofá-cama é a solução para dormir? Se a resposta for positiva a todas estas perguntas, então é provável que se trate da descrição de um pequeno apartamento no centro de Cracóvia com 20 anos ou mais.
Ao contrário do que se possa pensar, os preços não são muito baixos quando comparados com Portugal (principalmente se falarmos de estúdios). 270 eurios por um a 15min a pé da praça central de Cracóvia não é propriamente uma pechincha para 20m2. Mas ao menos posso responder negativamente às duas primeiras perguntas do parágrafo anterior (uff).
Se no exterior dos prédios se notam diferenças arquitectónicas, no interior de cada vez mais apartamentos podemos encontrar aquele mobiliário do diabo que dá pelo nome de IKEA, e que é um atentado ao individualismo e à diferença. Tirando as tomadas de electricidade serem diferentes, não encontro mais nada no meu apartamento que me permita dizer que não estou em Portugal. Minto, a vista das minhas janelas aqui em Cracóvia é bem melhor do que em Lisboa. Obrigado vizinha!

domingo, setembro 17, 2006

Zachód słońca


Fim de mais um domingo em Cracóvia

quinta-feira, setembro 14, 2006

Post de agradecimento

Agradecimento a esta senhora, www.bomba-inteligente.blogspot.com, por ter colocado o meu humilde blog em destaque no seu espaço. Isto permitiu um afluxo (quase) abismal de leitores a esta amálgama de palavras que é o meu blog.
Agradecimentos também aos prezados e sequiosos leitores, principalmente aqueles que fazem comentários às minhas bacoradas. É sempre agradável receber feedback das nossas opiniões, mesmo que não conheça quem o faz.

Dziekuje bardzo (muito obrigado).

terça-feira, setembro 12, 2006

Estereótipo do Homem Polacowski

Para ser um polaco "normal", devem ser respeitados os seguintes parâmetros:
a) ter cabelo rapado a pente zero;
b) ter cara de puto, e ser evidentemente imberbe (Bill Gates style);
c) se trabalhar num escritório, usa amiúde camisas e gravatas de cores mais arrojadas (p.ex verde ou violeta);
d) se não necessitar de andar de fato, t-shirt bem justinha (coleante quase) para se notar bem os músculos;
e) em ambiente informal de amigos, terminar cada frase com a interjeição "kurwa";
f) e ,last but not the least, ser possuidor de no mínimo 3 pares de sapatos que à frente terminem em bico (ver foto).