quarta-feira, março 21, 2007

À vontade

Que não param nas passadeiras e que não respeitam filas já foi referido. Que demasiadas vezes como cliente sou tratado como se tivesse a fazer um favor a quem me está a atender, que pergunte quanto custa uma bebida e a pessoa me diz siedem (7) mas depois corrige para nine (9) quando percebe que sou estrangeiro são coisas que já me aconteceram, chateiam, mas fazem parte da experiência cultural.
Todavia, já por várias vezes, e espero não me estar a enganar nesta análise, verifico que regra geral (excluindo os meliantes), o respeito pela propriedade alheia é mantido. Exemplos: 1-Telemóvel deixado numa discoteca algures num banco, e passado 30 de ter saido de lá, e voltado atrás, o dito ainda se encontra no mesmo sitio. 2 - cachecol que cai na rua, não me apercebo, e vem uma senhora a correr e dá-me o mesmo. 3 - mochila pendurada num banco numa esplanada, fui esquiar durante 2horas e só depois me lembrei que me faltava algo, e fui a café dessa esplanada e lá uma senhora me deu a mochila (depois de olhar para o meu passaporte...que estava dentro da mochila). Conclusão: Eles sabem o que custa a vida, e respeitam aquilo que os outros têm.
Ps: Estes exemplos não aconteceram comigo, mas sim com amigos, porque de facto não me aconteceram a mim, não. Mesmo.
Ps2: Quem desatar a fazer experiências sociológicas para tentar comprovar isto e depois ficar sem os bens, não me meta ao barulho com as responsabilidades.

terça-feira, março 20, 2007

Viagens na terra de outros - Zakopane









Em vários aspectos, Zakopane lembra-me Portugal. E começa logo pelo caminho de autocarro até lá, em que os troços de auto-estrada têm curvas a cada 200m, o que não ajuda a que a viagem de 105 km a partir de Cracóvia demore menos de 2h. E chegados lá temos a mesma calma e sossego nas ruas principais que existe em Albufeira durante o Agosto, os cheiros equinos que dominam a feira da Golegã e queijos, muitos muitos queijos como na Serra da Estrela.
Basicamente, Zakopane é a maior cidade de montanha da Polónia, situando-se a sul de Cracóvia, numas montanhas chamadas Tatras. No Inverno, o ski toma conta da cidade, e assim que o tempo começa a melhorar, a cidade funciona como base para os caminhantes polacos se aventurarem pelos caminhos de montanha de mochila às costas.
Em termos de alojamento e de restaurantes, é uma cidade que não apresenta problemas neste campo. Mas verdade seja dita, foi aqui que já tive dos melhores atendimentos da vida (o staff do hostel - www.starapolana.pl onde fiquei uma vez, simplesmente inacreditável) mas também dos piores (não interessa onde).

Relativamente a ski, não é propriamente barato para os standards polacos. O problema não é o custo do aluguer do material (25pln dia todo), mas sim o custo dos telefericos/"saca-rabos" pois cada hora de subidas pode ficar em 20pln (20*3 = demasiado dinheiro), e uma hora de aulas custa 60pln. Mas enfim, também é o sítio mais turístico. Pistas, há bastantes. Dado o meu nível, que neste momento pode ser apelidado como tosco, fiquei-me pelas iniciantes.










sexta-feira, março 16, 2007

Desportos da malta - Futebol

Ainda permanecem na minha memória dolorosas recordações de um jogo entre a Polónia e a 4ª melhor equipa do mundo, e foi uma surpresa ver como eles humilharam o adversário. Isto porque os anos de glória do futebol polaco já lá vão há algum tempo, mais concretamente durante a década de 70. Em 1974 e em 1982 conseguiram o terceiro lugar no campeonato do mundo. Mas mesmo após esta travessia do deserto, o futebol ainda é o desporto mais popular por estas bandas.
No entanto, no que se refere ao campeonato nacional, julgo que aqui não existe tanto acompanhamento doentio como em Portugal. O facto do nível do futebol ser baixo e a violência entre claques ser altita também não puxa muitas pessoas para os estádios. Equipas mais conhecidas dos últimos anos são o Wisła Kraków (cujo equipamento tem umas cores bem giras) e o Legia Warszawa. Quer dizer, conhecidas mas não muito na Europa, pois nunca vão muito longe nas competições da UEFA.
Na foto acima, dois artistas da bola no mundial 1974.

quarta-feira, março 14, 2007

História da Polónia às três pancadas - IV

Como já referi o século XIII foi caracterizado pelo surgimento dos Cavaleiros Teutónicos no território polaco, mas não só. Em meados desse século os polacos tiveram também a oportunidade de serem contemplados com uma invasãozita Mongol-Tártara. Uma palavra que define o impacto disto é, é...devastação. Mas também, para leste da Polónia, nenhuma região (territórios que agora são Ucrânia, Bielorrússia, Rússia,...) se ficava a rir disto. E ao longo dos séculos seguintes, volta na volta, lá esses bacanos voltavam a atacar a Polónia.
Em 1333 chega ao poder o último rei da Dinastia dos Piast, Kazimierz o Grande. E cognomes destes não surgem por dá cá aquela palha. Basicamente o homem conseguiu por ordem na casa (Polónia), pois voltou a existir um poder centralizado, acabando/diminuindo as rivalidades das regiões que só enfraqueciam o país. Certo que durante o seu reinado teve de mandar para os abrunhos a Silesia e a Pomerânia (territórios mais ocidentais), mas conseguiu expandir o seu território mais para Leste (onde já agora, a religião não era a Católica). A Polónia tornou-se não só maior, como mais cosmopolita.
Tal como diria o Carlos Cruz, e ainda: construiu uma catrefada de castelos; codificou a Lei Polaca; desatou a fazer edifícios giros em Cracóvia (a capital) havendo inclusive hoje em dia um dos bairros mais importantes em Cracóvia que é o Kazimierz; fundou a Academia Cracoviana que mais tarde teria o nome de Universidade Jagiellonian, and soione and soione... Nós portugueses também tivemos reis deste calibre. Mas tal como na Polónia, não foram foi muitos.

terça-feira, março 13, 2007

Lixiu

Cidade turística que é, Cracóvia padece do problema de lixo na rua. Mas verdade seja dita, que não me parece que os polacos também tenham um grande nível cívico neste campo. O que me vale é que para um português nem se estranha muito, funcionando quiçá como uma maneira de se sentir em casa. No entanto, e não sei se é só por reparar mais nalguns detalhes, apercebo-me que há mais pessoas a varrer/limpar a frente dos seus prédios (mesmo não tendo lojas) do que em Portugal. Mea culpa, mas ainda não cumpri se calhar a minha parte no que diz respeito ao meu prédio. Ups.
Ainda neste interessantíssimo tópico, espaço para a recolha do lixo doméstico. Por exemplo, em Lisboa ou na minha terrinha os caixotes do lixo são postos ou estão na rua todos os dias para a recolha durante a madrugada. No Porto, há uma abordagem mais paupérrima da coisa, pois não há caixotes, mas sim só sacos de lixo ao monte. Pelo menos no centro de Cracóvia, as coisas funcionam de maneira mais confortável: cada prédio tem no seu pátio ou interior uns quantos caixotes do lixo, e a recolha ocorre só uma ou duas vezes por semana. E quase sempre há um dia em que tenho o prazer de acordar com o distinto som de um camião a triturar lixo às 7 da matina, pois pelos vistos, aqui não se recolhe lixo durante toda a noite. Falta-me é saber como é que os senhores dos serviços de limpeza entram nos prédios para ir buscar os caixotes. Será que têm um molho de chaves de entrada dos prédios de vários quarteirões por onde fazem o seu percurso? Se sim, isto ainda deve ser coisa para pesar um pouco e dar cabo das costas a um tipo.

segunda-feira, março 12, 2007

Cuidadinho com a paparoca

Há uns meses falou-se nos meios internacionais do embargo da Rússia à importação de carne da Polónia. Nesse momento, abstive-me de comentar. Mas dados acontecimentos recentes e os antecedentes, vejo-me obrigado a dizer que provavelmente os russos são capazes de ter (pelo menos) uma ponta de razão. Por várias vezes, e em diferentes supermercados já encontrei carne embalada e supostamente dentro do prazo de validade, com maiores ou menores manchas verdes. Não sendo propriamente licenciado em engenharia alimentar, desconfio que isso signifique que a carne está estragada. E vezes houve em que só reparei nisso em casa.
Num acto de partilha, resolvi perguntar a alguns nativos se esta situação era normal e a resposta de vários foi: "O quê? Comprar carne embalada no supermercado? És doido? Não deves fazer isso. Essa carne não presta". Portanto, das duas uma: ou não vi o anúncio à saida do aeroporto a dizer: "caro turista, não compre comida no supermercado"; ou então o anúncio não existe, mas devia! Se a Polónia é um país com uma forte componente agrícola e pecuária, não tem um clima quente, quão complicado será garantir condições de sanidade e de temperatura dos alimentos? E se no próprio país eu vejo isto, como será com as exportações?
Nota: Na génese da motivação para este post não é despicienda a intoxicação alimentar que me lixou (com F) o fim de semana, devido a, e passe a repetição, carne estragada.

quinta-feira, março 08, 2007

Polónia à noite

She was more like a beauty queen from a movie scene / I said dont mind, but what do you mean I am the one / Who will dance on the floor in the round / She said I am the one who will dance on the floor in the round
Este é o início da música que eu ouço mais desde que estou na Polónia. Tudo bem, é uma versão remisturada, mas também não é assim tão diferente da original, e que sinceramente já julgava morta e enterrada. Claro está, que à semelhança da tendência mundial, na maior parte dos sítios, o Hip-Hop e o R&B lançam cartas. E a malta parece gostar bastante. Eu, não!
Aliás, em Cracóvia o meu sítio favorito para ouvir música não é um clube/discoteca, mas sim um bar. Já em Varsóvia, a conversa é diferente, pois existem de facto bons clubes, com boa música que não versa sobre assuntos de bling & bitches, e mais importante: RECENTE. Mas isto da noite na Polónia tem muito que se diga, pelo que este tópico será abordado mais vezes.
Ps: A letra do início do texto é a de Billy Jean - Michael Jackson (1983)!.

quarta-feira, março 07, 2007

Português

Cingindo-me apenas à realidade que conheço, em Cracóvia existe um curso universitário de língua portuguesa, assim como três escolas nas quais é possível aprender português. Não está nada mal. E naturalmente que para pessoas que têm de aprender uma língua como a polaca em criança, o português apesar de difícil, não constitui nada de impossível. E depois há os sotaques: polaco puro e simples, portunhol, afrancesado, a-le-mão, entre outros. Muito engraçado de ouvir.
Mas para não variar, cheira-me que o Estado Português não faz o suficiente para promover a nossa língua. Só a título de exemplo, o Instituto Cervantes fica em Cracóvia em pleno centro histórico (a meio caminho entre a praça central e o castelo). O Instituto Camões em Cracóvia fica em...desconheço. Mas mesmo assim, e pelo que consultei, é possível aprender português em Varsóvia, Poznan e Lublin o que já é alguma coisa.

terça-feira, março 06, 2007

Passo a passo

Não sou nem pouco mais ou menos uma pessoa que goste de andar devagar, mas devo reconhecer que na Polónia vejo a juventude a caminhar na rua a uma velocidade alucinante. Concentrando-me apenas no que é relevante, é curioso ver como as polacas aproveitam as suas pernocas e uns glúteos em forma para em escassos momentos se eclipsarem do meu campo de visão. Mais, andam depressa mas de forma graciosa.
A explicação mais básica para isto é: faz frio, então as pessoas têm de andar mais depressa. Mas isto do tempo não explica muito, pois se no Alentejo faz calor e as pessoas andam mais devagar, duvido que na Etiópia faça menos, e os tipos correm que se fartam. Portanto, preciso mesmo de perceber porque é que elas andam tão depressa. Ou então, para quê ver isto como um problema?

segunda-feira, março 05, 2007

As escolhas do professor VI

Em Agosto de 1980 ocorreu nos estaleiros de Gdańsk uma manifestação de trabalhadores que viria a ser marcante para a Polónia. O que este escriba sabia (ou pensava) disto é que foi a partir daí que surgiu um partido chamado Solidariedade (em polaco Solidarność) e cujo líder foi um electricista de bigode farfalhudo que mais tarde foi presidente do país. Pobre, conhecimento manifestamente pobre.
Basicamente este livro é a visão de um historiador/jornalista estrangeiro que assistiu in loco aos desenvolvimentos desde Agosto de 1980 a Dezembro de 1981. A greve nos estaleiros de Gdańsk que durou 16 dias, e que foi o motor dos protestos que se alargaram a todo o país; as reinvindicações de uma maior (ou seria alguma) liberdade de expressão, sindicatos de trabalhadores livres, e mesmo aquelas mais específicas relativas à escassez de comida; e o registo da Solidarność como uma União Nacional Sindical Independente e Auto-Governativa (que no seu auge teve 12 milhões de membros entre trabalhadores, intelligentsia e intelectuais) são alguns dos acontecimentos cuja análise é feita por ele. Assim como toda a componente de não-violência que esta revolução teve (fruto sem dúvida da enorme influência da Igreja Católica Apostólica Romana na Polónia, exponenciada por um papa polaco a partir de 1978); os avanços e recuos durante o ano de 1981 nas "negociações com o Governo" e a perda de poder desta união; e a sempre presente iminência da invasão soviética ou de forças do Pacto de Varsóvia (como aconteceu na Hungria em 1956 e na Checoslováquia em 1968) face a estes acontecimentos libertinos.
Também é possível saber um pouco mais de personagens históricas como Gierek, Lech Wałęsa, Kania, Kurón, Jaruzelski, Bujak, Wyszyński, entre outros. Siglas como KOR, PZPR, SB ou ZOMO também ficarão na memória. E apesar desta revolução ter sido interrompida com a instauração da Lei Marcial (ou Estado de Guerra) em 13 de Dezembro de 1981 foram 15 meses de esperança de que algo de significativo pudesse mudar neste país. E de facto muito mudou. Pelo menos, muitas pessoas tiveram pela primeira vez uma experiência de vida numa sociedade mais livre.
Mais um livro indispensável, como é óbvio. 18 valores!

sexta-feira, março 02, 2007

História da Polónia às três pancadas - III

Como se pode observar por esta foto (foleira de um mapa de um livro!), o epicentro da evolução da Polónia ocorreu perto de Poznań, tendo a primeira capital sido Gniezno. Mas com a expansão territorial, a chamada Małopolska (pequena Polónia) foi assumindo preponderância, e em meados do século XI tornou-se a capital do reino. Acho que uma das razões para isso é que Cracóvia ficava mais fora de mão para os Checos e Alemães virem meter o bedelho.
Por alturas do século XII, as principais regiões da Polónia eram a Wielkopolska (grande Polónia), Małopolska, Kujawy, Mazovia, Silesia e Pomerania. Mas pelos vistos houve um rei que teve uma ideia de mer.., uhm não tão boa, de a modos que dividir o reino pelos vários filhos. Ideia engraçada provavelmente em termos de igualdade, mas com consequências nefastas para a união de um país ainda em período de formação, originando perda de poder e de organização. Parcialmente em virtude disto, os dinamarqueses afiambraram-se à região da Pomerania (noroeste da Polónia), e os alemães meteram cada vez mais o nariz na Silesia (sudoeste).
E se a situação acima já foi má, pior mesmo foi quando para defender a região da Mazóvia em 1225 se "convidou" uma ordem militar Alemã - Cavaleiros Teutónicos - para ajudar na luta contra a Prússia. De facto, os cavaleiros percebiam da poda. E após terem vencido, gostaram tanto que também decidiram estabelecer-se no litoral norte da Polónia, fazendo ainda uns castelos espectaculares, e a cereja no topo do bolo para estes cavaleiros foi no início do século XIV terem conseguido mesmo ficar com Gdańsk, cujo nome para alemão ficou Danzig. Refira-se que este era, e acho que ainda é, o maior porto da Polónia. Danzig tornou-se um grande centro mercantilista, e a Polónia perdeu a ligação ao mar. Bonito.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Partidas

Ao olhar para este ecran das partidas no aeroporto de Cracóvia, lá se consegue perceber quais os destinos dos Cracovianos. Gdansk e Varsóvia os aeroportos internos mais usados. Viena para ir assisitir a uns concertos, Praga para levar a patroa a jantar, e Frankfurt como plataforma para outras bandas.
E destinos de emigras temos Londres e Chicago, só faltando Dublin. Esta é a triade de destinos para onde os polacos desertam para ganhar mais uns trocos (muitos mais). Chicago é mesmo a maior cidade polaca. Maior mesmo que Varsóvia, pois só perto do Michigan vivem 2 milhões de polacos. É obra. Este êxodo para o estrangeiro parece ainda longe de estancar, e em alguns sectores (p.ex. construção ou agricultura) há mesmo falta de mão-de-obra. O que vale é que os polacos casam cedo e são danados para fazer filhos, como o prova a história.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Biedronka

Se se olhar com atenção para esta foto, consegue-se ver uma loja da Biedronka (www.biedronka.pl). Para quem não saiba, esta cadeia de lojas de hard-discount pertence ao Grupo Jerónimo Martins, e de acordo com dados de 2005, era só o maior retalhista na Polónia, com uma quota de mercado de uns (não) impressionantes 2,83% (já deu para perceber então o quão fragmentado é ainda este mercado na Polónia). Mais sabendo que estão presentes na Polónia grupos como o Tesco, Carrefour ou o Auchan. Mas quando questionados se sabem que a Biedronka é portuguesa, quase todos os polacos ignoram isso. O mesmo não acontece em relação à razoável publicidade negativa que esta empresa tem na Polónia, fruto de alguns problemas laborais. Sem ter muito conhecimento de causa, e indo para o campo das teorias da conspiração, apostava que há ajudinha francesa e alemã nesta publicidade negativa. Já agora, no top 10 em termos de quotas de mercado em 2005 consta outra empresa gerida por portugueses (www.eurocash.com.pl), que como o nome deixa entender é um cash&carry. Nada mau.
Mas voltando à Biedronka, julgo que esta foto que tirei em Poznań é reveladora do seu habitat preferido: subúrbio, sem muitas lojas à volta e com prédios, muitos prédios em redor. Em termos de metros quadrados, e para usar uma referência conhecida em Portugal, é equivalente ao Lidl, se bem que acho que em termos de organização de loja seja melhor que este. Os preços, como já referi, são para arrasar e até o slogan: "Codziennie niskie ceny" é familiar se for traduzido para o "Preços baixos todos os dias". Produtos portugueses, bem isso não se vê muito. Umas pêras-rocha, acho que também umas cerejas e acho que deve ser quase tudo tuga que entra nesta loja. Felizmente para mim não moro num subúrbio, senão era certinho que iria a uma Biedronka.
Fonte de dados: PMR report "Grocery retail in Poland 2006"

domingo, fevereiro 25, 2007

Shanties

Por sugestão desta miss (www.portugalka.blogspot.com) e com confirmação polaca, decidi ir assistir a um festival - Shanties - de que o que sabia resumia-se a : canções de marinheiros. A explicação mais detalhada está em http://www.shanties.pl/pl/index.php?id=1044&m=1044.
O primeiro impacto não podia ter sido melhor. O sítio era excelente, uma sala grande de espectáculos transformada em café, com bancas a vender CD's e roupa (t-shirts às riscas horizontais eram rainhas), e indíviduos a circular trajando como piratas.
Quanto ao espectáculo em si, decorreu num anfiteatro de dimensões pequenas, mas a atmosfera era bem alegre, sendo o público composto quer por rapaziada e polacas da minha idade, assim como pessoas de meia idade. Os artistas eram bons artistas, as músicas variaram entre as bastante alegres e as mais melancólicas, havendo ainda algumas leituras de textos cujas palavras divertiram bastante todo o público (ou pelo menos aqueles que sabiam polaco). 2 horas de entertenimento puro, e que valeu bem bilhete de euro 7.5.
Notas: lugares marcados não havia; algumas pessoas, eu incluido, viram em pé nas laterais da sala; havia transmissão para a sala onde eu vi o primeiro pirata da noite; e obviamente a porta esteve sempre aberta permitindo uma liberdade total durante o espectáculo, para entre outra coisas ir buscar a jola.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

# 100

Como este é o post número 100, porventura não será má ideia fazer um balanço disto. Aquando da ideia de começar um blog, tomei a decisão de não ser algo do tipo "hoje estou muito contente, porque estou feliz e comi uns pierogis deliciosos ao almoço com Fuluna e Beltrano". Acho que até agora tenho conseguido isso. Quis pois fazer, e na medida das minhas parcas capacidades de escrita, algo que enunciasse basicamente curiosidades sobre a Polónia para alguns dos meus amigos lerem, ao invés de ir escrevendo e-mails.
Com o passar do tempo e uma vez que não só os meus amigos iam lendo estas páginas, decidi tentar aumentar um pouco o nível, abordando tópicos como história da Polónia, livros sobre a Polónia ou de autores polacos, investimento português na Polónia. Falei de Copérnico, de Marie Curie, do Chopin. Ok, falta um Adam Mickiewicz ou um Henryk Sienkiewicz, mas lá chegarei.
Mas acho que por mais que me esforce, vou ter de carregar a sina de poder ter pessoas a ler o meu blog se fizerem as seguintes pesquisas no google: "gajas polacas", "sapatos polónia" ou um doentio "celine dion polonia".

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Apteka

Por razões que não interessam, já tive a oportunidade de recorrer à farmácia. Basicamente as regras são as mesmas que em Portugal, mas a receita do médico tinha um código de barras, e que de facto foi usado quando fui lá comprar os medicamentos.
Já agora, reparo que na cidade onde estou se vê mais farmácias do que em Portugal. Além disso, em muitos supermercados e hipermercados, junto às pastilhas, rebuçados e pilhas, lá estão as aspirinas, antigripines, paracetamols e afins.
Ps: FYI, se alguma vez precisarem de comprar Tantum na Polónia, não inventem. Basta dizer: "Prosze Tantum Verde". Nada de Tantum green, ou Tantum zielony, por exemplo.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Vida de cão~polaco

À semelhança de Portugal, também por aqui há a mania de ter o cãozinho. Mas felizmente para mim, e pela primeira vez (tive de emigrar), consigo adormercer sem ouvir latidos. Tal como em Portugal há os chamados cães a pilhas, cães normais e cães bem grandes (cujos donos são quase sempre pessoas com algum complexo).
Presentes nas ruas também se encontram, mas pelo menos em Cracóvia ainda não vi nenhum desgraçado a andar de mota para limpar isso (como se vê em Lisboa). Mesmo com um frio do camandro, é possível ver bananas à meia-noite a passearem na rua o cãozinho da mulher/namorada, o que é exactamente o mesmo que acontece em Portugal.
Única diferença, é o facto da maior parte dos animais andar nas ruas e/ou transportes públicos com açaime, o que não é exactamente o caso em Portugal.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Folclore

Comentários para quê. O folclore tem destas coisas.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Canções do povo II

Sto Lat
Sto lat, sto lat, niech zyje zyje nam.
Sto lat, sto lat, niech zyje zyje nam.
Jeszcze raz, jeszcze raz, niech zyje, zyje nam.
Niech zyje nam!

Esta é a canção de parabens que se canta na Polónia. E dá para perceber que não é o "parabens a você". Vou-me permitir a uma tradução livre. Basicamente o que diz é: "100 anos, 100 anos, boa sorte e felicidades. 100 anos, 100 anos, boa sorte e felicidades. Mais uma vez, mais uma vez, boa sorte e felicidades. boa sorte e felicidaaaaades".
É simples e original, mas o que gosto mais é da ambição. Partilho deste desejo, pois se não chegar aos 100 anos ficarei aborrecido.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

História da Polónia às três pancadas - II

Uma das tribos eslavas que se fixaram em redor da actual Poznań, tinha por nome Polanie. Isto queria dizer "povo dos campos abertos". E foi a partir desta tribo que se iniciou o desenvolvimento da Polónia. Mais exactamente em 965 D.C., o principe da altura (chamava-se Mieszko I da dinastia dos Piast) teve uma ideia bestial. Não só casou com uma princesa checa, o que já de si seria positivo, como o fez após o baptismo católico. Queria ver se punha sob a alçada da religião católica. E antes de quinar, já tinha conseguido uma união entre as tribos da vizinhança mais a sul (em redor de Cracóvia).
O seu filho, o Bolesław também não fez triste figura. Aliás, o seu cognome (O bravo) só pode significar que o tipo fez coisas bonitas pela Polónia (e provavelmente feias para os desgraçados que tiveram o azar de o encontrar como adversário). Danado para andar à porrada, foi com a sua rapaziada até por exemplo Praga ou Kiev, tendo em vista uma ambiciosa expansão territorial. Deve-se a este senhor o facto de ter sido possível convencer a malta no Vaticano para ter uma coroa real, o que convenhamos é sempre algo que dava sempre jeito a qualquer rei com ambições de ser respeitado na europa desta altura, nomeadamente relativamente aos alemães. E lá se conseguiu mais território com estas mudanças.
Em 1025, com um reino estabelecido, com coroa e tudo e tudo, surgiu um reino chamado Polónia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O tempo que faz

Já tinha descoberto há algum tempo que os polacos parecem ter fortes ligações com os ingleses, nomeadamente e mormente no que se refere à capacidade de falar sobre o estado do tempo. Então não é que desde Outubro volta na volta, lá está um cidadão polaco a falar-me do tempo. E se em Outubro ou Novembro e mesmo Dezembro o tópico era sempre algo do género: "epá, ainda não está bem frio, mas para a semana (eheh) vai começar o inverno polaco. E o ano passado fizeram aqui -30ºC. Foi muito mau! Tens de te preparar bem, não estás habituado como nós."
Estamos já em meados de Fevereiro e após somente dois ou três dias de nevões à séria, mínimas que nunca baixaram duns amenos -12ºC. E o que ouço agora é: "Tu este ano tiveste muita sorte. Este de facto não é um Inverno típico e têm estado uns dias agradáveis." Sinceramente detecto tristeza nessas palavras, pois acho que existe um desejo sádico de verem um latino a bater o dente com o frio polaco. Afinal não são só os portugueses que são uns eternos pessimistas. Pelo menos no que se refere ao tempo, na Polónia as pessoas também nunca estão contentes.
Temperatura à hora da escrita deste post: 4ºC

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Voar até que nem sai caro

Quando vi este anúncio a semana passada fiquei contente pelo bom negócio que fiz. Isto porque em Outubro, estes preços estavam bem mais baixos. Aliás, cada viagem podia custar (€ -1 + taxas). Agora pelos vistos os preços dispararam. Para quem não saiba, 29 zl são mais ou menos € 7,5. Gatunos!
Já agora: a) Amsterdam não comprei; b) Bruksela só paguei taxas e já lá fui. Paguei quase outro tanto para ir de comboio até Amsterdam; c) Paryz acabei de usufruir, pagando também só taxas; Rzym ou Roma também foi comprada, mas ainda faltam algumas semanas para a usar, pagando claro está só taxas. Aliás, ficou-me mais caro o comboio para Praga do que qualquer uma destas viagens. É o que dá estar no centro da Europa. Isso, e o facto de um aeroporto Regional se calhar até consegue atrair mais low-costs do que o principal aeroporto Nacional português. Fantástico e triste ao mesmo tempo para Portugal.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Vis a vis

Não é bem um vis a vis, mas está quase lá. Que belo par de jarras.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Caves

Em Portugal, a maneira mais fácil de encontrar uma discoteca passa por tentar encontrar o sítio com mais luz, e som a bombar a 2km de distância. Pelo menos em Cracóvia, as coisas são um pouco diferentes. Para conseguir descobrir uma discoteca, é necessário olhar para o chão. Olhar não, mas ouvir o som que vem debaixo, quase da sarjeta. Isto porque nesta cidade os clubes são todas em caves. Bem, quase todos.
Aliás, quando confrontado com a possibilidade de no mesmo edifício escolher entre uma cave com música demasiado alta, pouca luz, muita gente e hip-hop misturado com techno, ou um primeiro andar com decoração moderna,luz e house music com o nível de som ideal, a escolha parecia óbvia para mim. Todavia, tive de ir para a cave, pois era onde estavam as pessoas todas, pois o outro sítio estava ao mosquedo (mesmo). Gostos.
Já agora, restaurantes e bares em caves também é o que há mais por aqui. Outra coisa gira é também haver um centro comercial em que o supermercado é no último andar. Parece que a ordem "normal" das coisas aqui não foi propriamente seguida.

sábado, fevereiro 03, 2007

História da Polónia às três pancadas - I

Com o mesmo nível de conhecimento de história da Europa de um estudante médio americano, e com igual nível de imaginação do Hermano Saraiva, aqui vão algumas notas soltas sobre a história da Polónia.
Dada a localização geográfica da Polónia, as tribos que por lá passaram até à 1000 anos eram da mais variada origem, e ainda grassa por aqui uma grande incerteza em relação a quem viveu por estas bandas e qual a sua exacta influência cultural. É o que dá estar para ali encalacrado no meio da Europa. Para o bem ou para o mal, em Portugal não tivemos esses problemas. Sempre que alguém lá andou a meter o bedelho fê-lo de forma mais ou menos propositada, não sendo o meu país um ponto que poderia servir de passagem.
Ainda por cima, esta região é caracterizada por vastas planícies, logo se uma pessoa se imaginar um nómada da Ásia ou do Médio Oriente que queria conhecer outras terras mais para Oeste, entre atravessar Cárpatos, Tatras ou outras montanhas ou atravessar planícies, não é dificil imaginar porque é que esta região foi um regabofe de emigrantes.
Mas lá para meados do século VIII, tribos de origem eslava lá se decidiram a manter-se de forma mais permanente, assim que a modos que assentar arraiais. Até porque os romanos não andaram para aqui a viver. Talvez na altura fosse demasiado complicado construir aquedutos numa zona com tanto frio e neve, por exemplo.