Mostrar mensagens com a etiqueta Viajar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viajar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 02, 2008

Viagens na terra de outros - Gdańsk

Gdańsk, a cidade que fica na foz do principal rio da Polónia. Por esta constatação geográfica, é natural que esta tenha e seja uma cidade importante na Polónia. Constitui juntamente com duas outras cidades vizinhas (Sopot e Gdynia) a Trojmiasto (ie, três cidades), estando no top 5 das maiores do país.
Mais recentemente, a cidade é conhecida por ter sido o local dos estaleiros onde nasceu o movimento liderado por esse senhor de farfalhudo bigode chamado Lech Wałęsa. Todavia, a sua história é bem mais rica, uma vez que por largos periodos de tempo esta cidade foi alemã, prussiana, teutónica, and soione and soione. Não vou estar aqui a contar a história toda, mas acho suficiente mencionar que a invasão da Polónia por parte da Alemanha nazi começou por esta cidade.

Confesso que as expectativas que me foram criadas desta cidade foram bem elevadas, e uma vez lá, bem...soube-me a pouco. Talvez por ser uma cidade com muita influência alemã, ou por ter um centro histórico reconstruido, ou por lhe faltar uma praça central como Cracóvia ou Poznań, por ter ficado numas aguas furtadas em construção num hostel gerido por um hippie de 50 anos todo queimadinho do cerebro, ou por outras razões, ficou aquém do esperado.

De um modo geral, o centro está bem cuidado e é bastante agradável andar a pé e tem alguns edificios bastante curiosos e bonitos (aquela grua de madeira realmente interessante). Agora, não sei se foi por lá ter ido em Setembro e as pessoas estavam na praia (duvido, pois estava frio), não vi muito movimento no centro à noite. De qualquer das formas, espero lá voltar e porventura conseguir apreciar melhor esta cidade, que não sendo de todo feia, pareceu-me faltar-lhe vida.
Nota: Quando alguém lá for, há-de reparar na barbaridade do número de placas a indicar a proximidade de casas de banho. Cá para mim, isto deve ter a ver com as necessidades dos inúmeros turistas geriátricos alemães que por lá andam e para os quais esta informação deve ser vital.


segunda-feira, abril 07, 2008

Viagens na terra de outros - Gniezno

Curta referência para uma cidade, que entre os portugas é conhecida como a Guimarães polaca. Isto porque Gniezno é conhecida (ou pelo menos tem a pole-position) como tendo sido a primeira capital da Polónia. Fica a cerca de 50km para leste de Poznań, e é das poucas cidades polacas onde estive que efectivamente tem algumas ruas com inclinação. Tendo sido visitada à pressa e com um dia chuvoso, não há fotos de jeito para mostrar. Não é de todo a cidade mais popular em termos turísticos, e em meio dia facilmente se vêem todos os pontos mais interessantes do burgo.
Depois de uma história rica, hoje em dia Gniezno é mais conhecida por ter muitos stands de automóveis, obviamente na sua maioria vindos em atrelados desde a Alemanha. E ao fim de semana, aquilo parece uma enorme feira.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Viagens na terra de outros - Lublin

Quando me falam em Lublin, imediatamente me vem à ideia o facto de esta ter uma parceria com Viseu, como se pode ver pela foto. Agora, felizmente para a Polónia, a obsessão por rotundas ainda não chegou aqui. Situada no Leste da Polónia, Lublin é bastante conhecida pelas suas Universidades, nomeadamente Universidade Católica de Lublin cuja reputação é apreciável. Além disso, foi nesta cidade que surgiu o primeiro Instituto Camões na Polónia.
Sendo a maior cidade do leste, é significativamente mais pequena que Cracóvia (talvez tenha uns 350000 - 400000 hab). E dada a sua localização geográfica, também não é de estranhar que seja um pouco mais pobre. O centro histórico por exemplo encontra-se ainda algo degradado, mas nota-se um esforço de rehabilitação em curso. Com uma história de população judia bastante forte, pelo menos a cidade foi poupada a destruição durante a II Guerra Mundial, todavia durante os anos do comunismo, parece que o abandono foi palavra de ordem. Uma cidade interessante e bonita para visitar, mas que ainda está um pouco fora de mão para os turistas. De Cracóvia para Lublin (que em linha recta dista +- 300km, demorei 6 horinhas de comboio).
Nota: Foi aqui que também vi pela primeira vez trolei-bus, ou seja, autocarros que funcionam com aquela estrutura dos eléctricos no tejadinho. Curioso.

sábado, junho 30, 2007

Viagens na terra de outros - Rzeszów

Pertinho da fronteira com a Ucrânia e a 150km de Cracóvia para Leste, a cidade de Rzeszów tem cerca de 170.000 habitantes. Localizada numa região com maior peso e história agrícola, a cidade não é tão campónia quanto se poderia pensar. Para mais informação, ver http://www.erzeszow.pl/en/. Admito que estava a contar encontrar maiores contrastes nesta cidade a nível de arquitectura e de pessoas, mas tirando a zona em redor da estação de comboio e um monumento comunista horripilante com uns 20 metros de altura, todo o centro da cidade está bem cuidado e nem é feio. E a nivel de feições, nada de muito diferente quando comparado a Cracóvia. Pelo que li também, esta é e sempre foi das zonas mais pobres da Polónia, portanto muita rapaziada polaca emigrou destas bandas para outras paranças.
Aliás, até do outro lado do rio, tem uma zona bem grandinha de blocos de prédios recentes a dois passos do Castelo, prova do dinamismo da cidade. Já agora, durante o Domingo em que lá estive não vi nem uma igreja. Estavam abertas sim senhora, mas sempre com missas. E não só, a lotação estava esgotada, pois haviam sempre umas dezenas de pessoas a assistir à missa na rua e ouvindo através dos microfones colocados sobre a porta de entrada.

domingo, maio 27, 2007

Viagens na terra de outros - Łódź

Da cidade de Łódź (que não se lê Lodz, nem Ludz, mas algo foneticamente parecido com "Udjê") não posso ainda falar muito uma vez que da única vez que lá estive, foi uma visita relâmpago com o objectivo bem claro de conhecer a vida nocturna. Mesmo assim, ainda deu para confirmar o porquê de se poder dizer que esta cidade é a Manchester da Polónia. O seu desenvolvimento deu-se no século XIX, pleno período da revolução industrial, pois a sua localização a 110km a sudoeste de Varsóvia também lhe dá uma posição central. Claro está que muitas das fábricas dessa altura já estão desactivadas e alguns espaços sofreram ou irão sofrer obras de reconversão para espaços comerciais e/ou residenciais.
Algumas curiosidades é o facto da cidade não ter uma praça central propriamente dita, sendo a zona mais movimentada uma longa rua (onde se passa tudo...ou quase tudo). Mas para facilitar a movimentação nessa rua existe um serviço de ....riquexós. A cidade está ainda a tentar assumir-se como um centro de cultura dentro da Polónia, o que é condizente com o seu estatuto de 2ª cidade com mais população a seguir a Varsóvia. Definitivamente não das primeiras cidades a visitar na Polónia, mas para quem esteja a viver por estas bandas, também não ficará demasiado desapontado e não é tão mau como se possa pensar. Pelo menos já vi que a vida nocturna até tem uns espaços simpáticos.

terça-feira, março 20, 2007

Viagens na terra de outros - Zakopane









Em vários aspectos, Zakopane lembra-me Portugal. E começa logo pelo caminho de autocarro até lá, em que os troços de auto-estrada têm curvas a cada 200m, o que não ajuda a que a viagem de 105 km a partir de Cracóvia demore menos de 2h. E chegados lá temos a mesma calma e sossego nas ruas principais que existe em Albufeira durante o Agosto, os cheiros equinos que dominam a feira da Golegã e queijos, muitos muitos queijos como na Serra da Estrela.
Basicamente, Zakopane é a maior cidade de montanha da Polónia, situando-se a sul de Cracóvia, numas montanhas chamadas Tatras. No Inverno, o ski toma conta da cidade, e assim que o tempo começa a melhorar, a cidade funciona como base para os caminhantes polacos se aventurarem pelos caminhos de montanha de mochila às costas.
Em termos de alojamento e de restaurantes, é uma cidade que não apresenta problemas neste campo. Mas verdade seja dita, foi aqui que já tive dos melhores atendimentos da vida (o staff do hostel - www.starapolana.pl onde fiquei uma vez, simplesmente inacreditável) mas também dos piores (não interessa onde).

Relativamente a ski, não é propriamente barato para os standards polacos. O problema não é o custo do aluguer do material (25pln dia todo), mas sim o custo dos telefericos/"saca-rabos" pois cada hora de subidas pode ficar em 20pln (20*3 = demasiado dinheiro), e uma hora de aulas custa 60pln. Mas enfim, também é o sítio mais turístico. Pistas, há bastantes. Dado o meu nível, que neste momento pode ser apelidado como tosco, fiquei-me pelas iniciantes.










segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Voar até que nem sai caro

Quando vi este anúncio a semana passada fiquei contente pelo bom negócio que fiz. Isto porque em Outubro, estes preços estavam bem mais baixos. Aliás, cada viagem podia custar (€ -1 + taxas). Agora pelos vistos os preços dispararam. Para quem não saiba, 29 zl são mais ou menos € 7,5. Gatunos!
Já agora: a) Amsterdam não comprei; b) Bruksela só paguei taxas e já lá fui. Paguei quase outro tanto para ir de comboio até Amsterdam; c) Paryz acabei de usufruir, pagando também só taxas; Rzym ou Roma também foi comprada, mas ainda faltam algumas semanas para a usar, pagando claro está só taxas. Aliás, ficou-me mais caro o comboio para Praga do que qualquer uma destas viagens. É o que dá estar no centro da Europa. Isso, e o facto de um aeroporto Regional se calhar até consegue atrair mais low-costs do que o principal aeroporto Nacional português. Fantástico e triste ao mesmo tempo para Portugal.

domingo, janeiro 28, 2007

Viagens na terra de outros - Tarnów

Pertinho de Cracóvia, mais ou menos a 80km para Leste, Tarnów foi uma agradável surpresa. Com um centro histórico pequeno, é possivel ver todos os pontos turísticos num só dia. As ruas têm uma disposição medieval, uma praça central inclinada, e tal como em Cracóvia há um conjunto de ruas (como a da foto) que fazem uma circular em torno do centro. Todavia, os prédios mais interessantes são da época do Renascimento.
E depois existe o bairro judeu, que como não foi destruído (destino diferente teve uma sinagoga), e não tem a catrefada de bares/restaurantes/lojas que o de Cracóvia, permite ficar com uma melhor perspectiva de como seriam aquelas ruas à 60 anos atrás.
Como curiosidade, fui visitar o museu etnográfico dedicado à cultura cigana na Polónia (à borla,porque aos domingos não se paga). Aliás, apesar desta cidade não atrair muitos turistas, acho que sem dúvida é a cidade onde estive com maior e melhor informação espalhada pelas ruas do centro histórico (mapa, e explicações em três línguas). Também se percebe que nos últimos anos tem havido um esforço para devolver às fachadas dos edíficos as cores de outrora. E como muitos são de facto edifícios antigos, tem outro encanto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Viagens na terra de outros - Poznań

Traçando uma linha recta entre Varsóvia e Berlim, há uma cidade que é mais ao menos equidistante. Poznań, capital da região da Wielkopolska (Grande Polónia) com cerca de 600.000 habitantes. Fruto da sua localização geográfica assume-se como um importante polo de desenvolvimento, manifestando um forte cariz industrial, e alberga ainda as mais importantes feiras de negócios na Polónia.



Fruto da ocupação alemã, são bem visiveis as diferenças a nível da arquitectura, e até agora foi a cidade polaca onde estive com maior diversidade de estilos. Também esta cidade foi severamente castigada durante a II Guerra Mundial, pelo que por exemplo a praça central é totalmente reconstruída, e se não fosse por uma aberração arquitectónica soviética mesmo no meio, diria que era perfeita.
Apesar de ter mais ou menos a mesma população de Cracóvia, a sua organização é mais convencional, ou seja, o centro da cidade é mais alargado, o que me obrigou a caminhar um pouco mais. Também por aqui há estudantes a pontapés, mas turistas já não são tantos quanto isso (um fim de semana basta para ver os pontos mais óbvios). Pela noite, existem também uma dúzia de lugares interessantes a visitar, todos a menos de 15min a pé da praça central.
Como gosto de ir sempre a centros comerciais (excelente spot para compreender a cultura de uma cidade), um dos que estive - Stary Browar - surgiu da reconversão de parte das instalações de uma cervejeira, e para não ser exagerado, vou só dizer que é belo.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Comboios

Para viajar na Polónia recorro na maior parte das vezes ao comboio, basicamente por exclusão de partes. Evito andar de autocarro porque as técnicas de condução são demasiado arrojadas. Nunca usei voos domésticos porque basicamente sou teso e aviões a hélices não obrigado. Resta pois o comboio, que tem vários pontos positivos, como sejam:
1- é pontual;
2- permite aceder às principais cidades polacas (todavia muitas vezes tendo de mudar em Varsóvia);
3- com jeitinho, até sai barato usando duas opções:
A- Bilhete de fim de semana que por 99 polónios dá para andar em quase todos os comboios pelo país com número de vezes só limitado pelo número de horas de um fim de semana;
B- Super-Bilhete, que comprado com pelo menos uma semana de antecedência permite ter lugar a menos de metade do preço (número limitado de lugares);
Assim, por exemplo, consigo fazer 300km em 3 horas por menos de € 10. Não está mal.
Quanto a pontos negativos, espero pela oportunidade de andar em comboios regionais, e fazer alegres viagens de 100km em 2 horas e meia, para depois puder falar com mais conhecimento de causa. Mas já tenho alguma experiência de comboios regionais em Portugal, com malta da tropa e tudo, portanto sem medos. Mas até agora na Polónia foi sempre de Intercidades ou Internacional.
Curioso é o facto de existirem várias empresas consoante o tipo de comboio (internacional/intercidades, regional, carga). Em Portugal o prejuízo está todo oculto ou não numa única empresa.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Viagens na terra de outros - Katowice

A cerca de uns 100km de Cracóvia de comboio ou auto-estrada (paga a preços de Portugal e em obras, mas uma das poucas na Polónia) está a cidade de Katowice. De origem bastante recente e ainda com um forte cariz industrial, alberga (mais polaco menos polaco) umas 320.000 pessoas. Fora dos destinos turísticos mais óbvios, além dos estudantes erasmus, é mais dificil ver estrangeirada por estas bandas. E isso é positivo, pois permite-nos aperceber como é uma cidade polaca "normal". Com um centro da cidade razoavelmente bem cuidado mas em obras, uma estação de comboios medonha, e uma praça central horripilante pela má convivência entre prédios do início do século XX e coisas dos anos 80 com lojas (à la Martim Moniz), visualmente parece pouco apelativa no primeiro contacto. Mas vale a pena insistir.

Em Katowice existe um parque da dimensão do Monsanto (ou maior) feito na segunda metade do século XX. Devo dizer que se não fosse pelas vistas que o Monsanto tem sobre Lisboa, diria que este parque mete o nosso no sapato. Zoo, parque de diversões, estádio de futebol, planetário, lagos, floresta, teleféricos, it got it all. Mesmo no Outono quando lá fui, e com um frio do camandro gostei. Em seu redor, a vista que marca a cidade, torres de uns 20 andares. Aliás, abundam pela cidade prédios impessoais de dimensões generosas. Todavia, há espaços verdes entre os mesmos (autarcas de Santo António dos Cavaleiros, Rio de Mouro, Odivelas aprendam).
Como já referi, e para não variar, também por aqui anda tudo em obras, culpa dos fundos europeus que é necessário estoirar...quer dizer, investir. Mais info em http://www.um.katowice.pl/en/


segunda-feira, novembro 20, 2006

Viagens na terra de outros - Wrocław



A uns 300 e picos km (pelo menos 4h de comboio) a noroeste de Cracóvia fica a cidade de Wrocław (foneticamente soa a Wrótsuaf, mais ou menos). Até ao final da II Guerra Mundial o seu nome era Breslau e fazia parte da Alemanha, mas fruto das trocas e baldrocas do retalhamento da Alemanha no pós-Guerra, passou a ser território polaco. Com mais de 500.000 habitantes é uma cidade em que se nota um maior dinamismo empresarial e que é um pouco menos interessante em termos turísticos que Cracóvia, estando todavia no top 5 das cidades mais importantes do país.
Nos guias turísticos é referenciada como a Veneza da Polónia (e quase que jurava que num que eu li, surgia como a Aveiro da Polónia), por causa de alguns canais que atravessam o centro da cidade. Já estive em Veneza e não é bem a mesma coisa. Faltam japoneses.
Como foi afectada/bombardeada/destruida parcialmente na última guerra, por exemplo os edifícios da bela praça central não são os originais, mas sim reconstruções. Perdeu-se um pouco da história, ganhou-se em beleza e em cor. E para não fugir à paisagem habitual das cidades polacas, anda em profundas obras (centro histórico inclusive), para aproveitar à última da hora os subsídios da UE.
Só estive nesta cidade meio dia e noite, pelo que tenho de lá voltar, pois julgo que para a conhecer e aos arrabaldes bem, sejam necessários pelo menos uns 3 dias. Mais info em http://www.wroclaw-life.com/.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Viagens na terra de outros - Cracóvia a Varsóvia

Quem faça a viagem de comboio entre Cracóvia e Varsóvia, terá a oportunidade de ver duas cidades pelo caminho. Estas cidades coincidem com o ponto de partida e o ponto de chegada. Nos 300 km que separam as duas cidades, as únicas paisagens que se vislumbram pela janela são quintas, quintas e mais quintas. Cidades, népia. Indústria, nicles. Montanhas, neribi.
Como é característica da Polónia, estas quintas são de pequena/média dimensão (menos de 50 hectares), totalizando mais de 2 milhões de propriedades. Talvez por isso, actualmente este sector ainda emprega 25% da população activa (para quem não sabe, face a países desenvolvidos, é um valor quase absurdo), contribuindo com pouco mais de 3% para o PIB. É pois o reflexo de uma agricultura pouco eficiente e pouco orientada para o mercado, e que constitui um desafio para a Política Agrícola Comum da UE conseguir ajudar (ou não) à sua re-estruturação.
De entre os produtos mais populares existe a bela da batata, o bom do milho e não podemos esquecer a vacaria no lado da pecuária.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Viagens na terra de outros - Varsóvia

Mesmo antes de chegar à Polónia, a imagem que polacos me venderam de Varsóvia foi tão má que só faltou dizer que ainda havia a peste negra. Crédulo, e sem um guia de viagem, cheguei vindo de Vilnius de autocarro e o que vi de Varsóvia foi o trajecto entre uma estação de autocarros decrépita e a estação central de comboios. E como estava com tanta pressa para apanhar o comboio para Cracóvia, consegui a proeza de estar em Varsóvia e nem sequer vislumbrar o Palácio da Cultura e da Ciência (fica AO LADO da estação).

Já este ano, trabalhando na Polónia, as opiniões que ouvi de polacos e estrangeiros em Cracóvia sobre Varsóvia não foram as melhores. Mesmo assim, naturalmente foi uma das primeiras cidades que visitei e devo dizer que gostei.

Como é sabido, a cidade foi praticamente arrasada no final da 2ª Guerra Mundial após o triste desfecho do Levantamento de Varsóvia de 1944. Como se isso não bastasse, foi sobre as directivas soviéticas que a sua reconstrução ocorreu. O resultado são ruas e avenidas bem largas, prédios cinzentos de linhas direitas, e generosos espaços verdes, à mistura com alguns belos palácios barrocos reconstruídos. Bonito, dentro do estilo.

Quem chegar a Varsóvia de comboio, à saida da estação vê logo o melhor da cidade: o Palácio da Cultura e da Ciência ("oferta" da União Soviética), que goste-se ou não da arquitectura, é um edifício imponente em qualquer local do mundo, e cujo contraste com os edificios modernos de 30 andares que o querem cercar, ainda o torna mais interessante. Mas isto é como começar uma refeição pela sobremesa, ou seja, pelo melhor. Tudo o resto irá saber a pouco, mas ainda assim é fundamental visitar o centro histórico (reconstruido) e também os belíssimos parques no centro da cidade. Se esperam ver algo do que era o Gueto de Varsóvia, é bom que tirem isso da ideia, uma vez que esta zona é na verdade uma das mais modernas, com hóteis e escritórios em abundância.

Sendo uma cidade com dois milhões de habitantes, um estilo de vida que me lembra bastante Lisboa, julgo padecer também de um problema de desertificação do centro histórico, pois cerca das 23h num dia de Verão excelente, foi fácil encontrar-me sozinho nas ruas. Desilusão completa é o desprezo a que o rio que banha a cidade está vetado. É pena.

Em suma, não é a primeira cidade que recomendo visitar na Polónia, mas provavelmente será a segunda. Porque é a capital, porque é uma cidade praticamente nova, e para que nos possamos aperceber do dinamismo económico deste país (vísivel nos automóveis, nos edifícios de escritórios, nos hóteis, etc). Varsóvia não me parece muito menos desenvolvida que Lisboa. Talvez mesmo nalguns campos, antes pelo contrário.

domingo, setembro 24, 2006

Nowa Huta

Algumas pessoas com quem tinha falado tinham-me desaconselhado visitar esta parte da cidade, porque seria feia e mesmo perigosa para um estrangeiro visitar. Medricas como sou, papei esta opinião durante algum tempo, mas finalmente decidi que tinha de conhecer um exemplo do planeamento urbanístico comunista.
Saindo do tram, na Plac Centralny, choque imediato. Uma praça onde convergem três grandes avenidas, com um pequeno jardim muito bem tratado, e grupos de idosos sentados a aproveitar um soalheiro dia. Nem vou referir como ficaram os meus níveis de adrenalina ao ver isto.
Para ser conciso, trata-se de uma cidade construida a partir do zero durante os anos do comunismo, e que traduz a aplicação do realismo socialista no urbanismo.


Se por um lado gosto das linhas rectas, da simetria das ruas e da disposição dos prédios, não me agrada que as únicas variações nas cores das fachadas dos prédios ande em torno do cinzento. Isto sem falar do facto de os prédios parecerem (e se calhar são) todos iguais. Mas pelo menos no Verão este cinzentismo é colmatado pelos inúmeros espaços verdes existentes. De certeza que não é a zona mais bonita de Cracóvia para viver, mas também já vi bem mais feias em Lisboa (não vou mencionar áreas, mas quem conhece sabe do que falo).

quarta-feira, agosto 23, 2006

Zakopane


Homem, besta e a montanha

domingo, julho 30, 2006

Como chegar à Polónia

Da primeira vez que aqui cheguei não vim directo de Portugal, mas sim no decorrer de um pequeno interrail pela Europa. Ora, uma vez que vir de comboio de Portugal para a Polónia ainda é brincadeira para demorar dois divertidos dias, aconselho o avião.
Até agora, e com voos directos para a Polónia (Varsóvia), só conheço a CentralWings - www.centralwings.com . É uma low-cost polaca, nunca andei, mas quem já foi cliente primeiro está vivo para contar como foi, e segundo não tem razões de queixa (não há luxos, e cada bebida paga-se à parte). Os preços normalmente nunca ultrapassam os € 300 com taxas (ida e volta), podendo ir até ao € 1 por viagem sem taxas se comprada nas happyhours que surgem quando o rei faz anos. Comprando com 3 meses de antecedência, e sem contar com promoções, a viagem ida e volta sai a € 200 (são umas 5horas de voo, portanto um preço justo)
Chegados a Varsóvia, e para ir até Cracóvia, a melhor opção é o comboio (2.30 - 3h de viagem). Para quem queira chegar ao aeroporto de Cracóvia (20km do centro) não existem voos directos, sendo então só uma questão de achar o melhor preço (normalmente via Londres).

domingo, julho 23, 2006

Cracóvia, parte II, o regresso

Após um par de dias de passagem por Cracóvia em 2005, surgiu-me em 2006 uma oportunidade profissional que implicaria ir viver para a Polónia, e mais concretamente para Cracóvia. Depois de cuidadosamente ter ponderado os prós e contras desta importantíssima decisão durante cerca de 8 segundos, decidi que a minha vida iria sofrer a famosa mudança de 360 ou será 180 graus...anyway, o que é certo é que tive de começar a preparar-me para a mudança para a Polónia. Ou pelo menos, a tentar preparar-me....O primeiro passo, normalmente passa por aprender as palavras básicas da língua. Mas passemos este assunto para o próximo post.

quinta-feira, julho 20, 2006

first time in Kraków

Após três horinhas de comboio entre Varsóvia e Cracóvia, e passando por paisagens tão diferentes como campos de trigo ou de milho, lá cheguei ao destino final. Sendo já de noite, e como não tinha mapa da cidade, reserva em lado nenhum, lá aceitei alinhar numa dakelas angariações de estrangeirada à saida das estações para arranjar sitio p dormir. 50 zlotis por um quarto duplo, partilhado com um franciú idiota foi o que me saiu na rifa.

Bom, a noite passada, la fui conhecer a cidade, tendo como referências...nada. Desde logo é por demais notória a grande diferença entre o centro histórico e o resto da cidade. Começando pelo pior, nota-se que a maior parte dos prédios da cidade já não vê tinta à decadas, e a arquitectura também não é a mais bela que já vi. Em relação a espaços verdes, não se vê nenhum jardim com relva imaculadamente arranjada (ou entao, existe uma ou duas excepções no máximo), mas em contrapartida zonas "verdes" de mato ou erva existem às carradas (menos mal).

Mas pelo que a cidade é conhecida, é pela sua zona histórica, que não só é património mundial da Unesco, como merece inteiramente esse titulo, pois apesar de não ter edificios deslumbrantes (excepçao igrejas, castelo e muralhas da cidade), 98% dos edificios apresentam fachadas em perfeito estado de conservaçao.

O centro não tem grande ciência. Há uma praça central um pouco maior que o Terreiro do Paço, que tem 200 x 200m, atolada de esplanadas, restaurantes, cafés e outros estabelecimentos para sacar divisas abertos até às 24, 1h da manhã. Existe um jardim que rodeia todo este centro que tem uma forma eliptica, e que se faz de uma ponta à outra a pé em 20, 25min. Algo que me surpreendeu é a quantidade de bares, restaurantes e afins que existem. Comparando com Portugal, a qualidade dos bares é bem melhor que a do Bairro Alto em termos médios.
Decidi ainda experimentar algo da noite de cracóvia, mas como estava a chover, o pessoal que circulava pela rua debandou, e após várias voltas à procura de um sítio com mais de 10 pessoas, lá achei uma cave que tava a bombar som. O sítio era uma cave, e tinha n divisoes, ao estilo do pavilhao chines, mas com umas abobodas de tijolo. Apesar de cave, tinha bastante luz, não havia muito fumo e na pista de dança era proibido fumar. Quanto à música, era toda dos 80s e era uma pirosada de todo o tamanho. Não, não sei o nome do estabelecimento. Quanto a população feminina, havia de tudo (giras e menos giras), mas quase todas tinha algo em comum: estavam bem atestadas, etilicamente falando. Bom, as opções que eu tinha para ir naquela altura eram zero, pelo que lá me decidi a ficar por ali até as 4h da matina. Já agora, durante toda a noite, não tive stress nenhum, fiquei mesmo positivamente surpreendido com o nivel de segurança da cidade. A única chatice que parece poder haver é um bebado meter-se connosco, mas também isso ja estamos bem habituados em Lx.

sábado, junho 10, 2006

Polónia, impacto inicial


O primeiro contacto com a Polónia ocorreu em Agosto de 2005 aquando de um demasiado curto interrail. Todavia, a minha entrada ocorreu por uma viagem de autocarro entre Tallin e Varsóvia.

Primeiro choque foi o tipo de autocarro que estava a fazer viagens internacionais (um mercedes, com à vontadinha uns sólidos 30 anos, o que até nem é novidade em Portugal, pois também nós importamos sucata deste calibre).

Segundo choque o tipo de condução praticada pelo condutor (visivelmente com uma pele rosada, provavelmente apreciador de bebidas alcoolicas). Numa estrada com uma faixa para cada sentido, não havia inibições em fazer ultrapassagens mesmo que venham outros carros no sentido oposto. Para isso, quer o veiculo ultrapassado quer o que venha no sentido inverso, têm ostensivamente de circular pelas bermas para “abrir” espaço. Depois de alguns sustos deste calibre, finalmente apercebi-me de um pormenor. Na Polónia é normal a faixa longitudinal delimitadora das bermas ser descontínua, para permitir mesmo este tipo de ultrapassagens. Portanto, para estes meninos, uma estrada pode num segundo ter duas faixas, e noutro três. A mim, que tinha na ideia que a Polónia fosse um país bastante rígido, isto pareceu-me bastante arriscado, e mesmo uma surpresa dada a perigosidade disto.

Mas tirando este pormenor, a viagem correu sem outros sobressaltos até Varsóvia. E muito embora tenha sido apenas um ponto de passagem entre uma viagem de autocarro e o comboio até Cracóvia, do que vi de Varsóvia pareceu-me que é uma cidade com fortes influências da invasão comunista, com fortes influências de um passado industrial. Após chegar de autocarro, tive de apanhar um outro (urbano) até à estação principal de comboios (que fica pelo que me apercebi), numa zona central da cidade. Para quem como eu tinha estado há poucos dias em países escandinavos, e em que era fácil pedir informações em Inglês, na Polónia é algo complicado encontrar pessoas com mais de 30 anos que falem Inglês. Mesmo assim, não me pareceram arrogantes ou demasiado frias. Mas claro, não notei a simpatia e a prontidão para ajudar que nós portugueses temos. Se tivesse de dar uma nota à Polónia neste momento, não passava de um 12/20!